14:50 14 Outubro 2019
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    Lances oferecidos por empresas foram até 674% acima do lance mínimo

    Engenheiros da Petrobras denunciam: ‘Estão entregando o Brasil’

    Tomaz Silva/Agência Brasil
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    Leilão do pré-sal: crescimento ou desmonte? (4)
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    “O Brasil vai receber US$ 6 bilhões, mas está entregando alguns trilhões em reservas.” A afirmação é do vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, que comentou com exclusividade para a Sputnik Brasil o leilão de oito áreas do pré-sal realizado nesta sexta-feira, 27.

    Com relação à possibilidade de que o governo privatize a BR Distribuidora, a maior rede do país, até o ano que vem, o vice-presidente da Aepet admite que sim. "O Temer está aí para isso, para vender os ativos do país: água, petróleo, minérios. É por isso que ele está forte, é por isso que ele não cai, porque o sistema financeiro internacional, que governa o mundo subdesenvolvido, é que bota os governantes que quer."

    Dos oito blocos oferecidos, seis receberam propostas, o que vai render US$ 6 bilhões aos cofres do governo em bônus de contratos. Venceram as concessões as empresas que ofereceram o maior volume de óleo excedente à União. Os valores mínimos no edital variavam de 10,34% a 22,87%. As ofertas mais ousadas foram feitas pelos consórcios que tinham a Petrobras como líder. A Shell foi outra que disputou todos os lances das áreas ofertadas.

    As empresas estrangeiras ficaram com três das oito áreas do pré-sal. Esse foi o primeiro leilão em que as petroleiras puderam participar sozinhas sem a obrigação de dividirem blocos com a Petrobras. Antes, a estatal era obrigada a ser controladora de todas as áreas do pré-sal. A regra, porém, foi alterada no Congresso a pedido da própria Petrobras, alegando que, diante do elevado endividamento, não teria recursos suficientes para bancar tal empreitada.

    O vice-presidente da Aepet disse que tirar da Petrobras a obrigação de ser operadora dos blocos, permitindo a participação de empresas estrangeiras, foi um erro.

    "Como operadora, ela (Petrobras) evita dois pontos maiores de corrupção que ocorrem no mundo inteiro: o superinflamento do custo de produção. Uma empresa compra um sistema por US$ 2 bilhões, declara que pagou US$ 3 bilhões e recebe US$ 1 bilhão em petróleo sem pagar nada. O outro golpe é você produzir 500 mil barris por dia e falar que produziu 300 mil, e mandar os navios à noite levar o petróleo para o exterior. Por isso fizeram essa campanha para tirá-la (Petrobras) da condição de operadora", diz.

    Siqueira afirma que o petróleo é o energético mais eficiente, mais estratégico hoje  no mundo, e os países que precisam dele não têm reserva. "Isso dava ao Brasil um poder de barganha imenso e que está perdendo agora com esse leilão. Pelo edital, a parte que cabe ao governo fica entre 10% e 20%, mas os países no mundo ficam com pelo menos 80% do petróleo produzido. É um entreguismo absurdo." 

    Quanto ao fato de o leilão ter atraído os maiores grupos do setor, Siqueira disse que isso é mais do que compreensível.

    "Shell, ExxonMobil, British Petroleum, Repsol são todas componentes do cartel internacional do petróleo. A Repsol é a irmã caçula, uma estatal espanhola que foi comprada pelo banco Santander que, por sua vez, foi comprado pelo Royal Bank of Scotland, que pertence à família Rotschild. Não muda muito a questão de estratégia entre eles", finaliza. 

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    Tags:
    Santander, Repsol, British Petroleum, Aepet, BR Distribuidora, Royal Bank of Scotland (RBS), ExxonMobil, Shell, Petrobras, Fernando Siqueira, Michel Temer, Brasil
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