01:00 16 Setembro 2019
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    Protesto no Rio de Janeiro contra morte de policiais militares

    Familiares de PMs no Rio denunciam descaso e se revoltam com abandono

    Arquivo Pessoal / Rogéria Quaresma
    Brasil
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    Chegou a 112, na última quinta-feira, o número de policiais militares assassinados em 2017 no Rio de Janeiro, estado que vem liderando o ranking desse tipo de crime no Brasil. Sentindo na pele o impacto dessa estatística, esposas e familiares dessas vítimas decidiram se unir para cobrar reações mais efetivas do governo contra esse triste cenário.

    Do total de casos registrados, 70 policiais foram mortos quando estavam de folga, 23 quando estavam em serviço e 19 eram policiais da reserva. Entre as principais causas da morte estão situação de assalto, execução e confrontos com bandidos.

    Entre as últimas vítimas estão o comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, no Méier, na zona Norte do Rio, Coronel Luiz Gustavo Teixeira, que faleceu ontem, após ser baleado em um confronto com criminosos durante um arrastão no bairro, e o cabo Djalma Veríssimo Pequeno, lotado no 41º BPM, Irajá, baleado durante troca de tiros com assaltantes no Shopping Guadalupe, também na zona Norte.

    Em meio a esse caos, familiares dos policiais mortos estão se organizando no Rio de Janeiro para dar apoio uns aos outros diante da perda, para garantir direitos e assistência e denunciar as difíceis condições de trabalho que enfrentam hoje os policiais militares no estado.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, a presidente do movimento Esposas e Familiares, Somos Todos Sangue Azul, Rogéria Quaresma, contou um pouco mais sobre a rotina estressante que atinge tanto os agentes em si como aqueles que acompanham o seu dia a dia. Ela, que é casada com um policial militar que está na ativa há 30 anos, tomou a frente do movimento justamente por temer que seu marido se torne a próxima vítima.

    "A gente vive esse desespero. As esposas, mas também mães, irmãos, parentes de policial militar. Vivemos esse desespero todos os dias, todas as horas. Essa é a realidade", afirmou. "Infelizmente, o meu marido pode ser a próxima vítima, eu posso ser a próxima viúva".

    Rogéria Quaresma em ato em repúdio às mortes de policiais militares no Rio
    Arquivo Pessoal
    Rogéria Quaresma em ato em repúdio às mortes de policiais militares no Rio

    Para Quaresma, é possível considerar que o Rio de Janeiro, hoje, se encontra em uma guerra civil, o que significa que o governo deve reagir o mais rápido possível para reverter esse quadro. Segundo ela, é revoltante, por exemplo, o fato de os policiais precisarem esconder suas identidades e suas fardas quando estão em determinadas localidades, muitas vezes, em seu próprio bairro ou comunidade.

    "Isso é fora do normal, isso não existe. Não pode, eles são nossos homens de frente. São aqueles que defendem nossa sociedade. A sociedade, hoje, está abandonada. Porque se os nossos homens de frente estão morrendo, o que será da gente?", indagou. 

    Ainda de acordo com a presidente do movimento de esposas e familiares de PMs, o apoio da população à causa é muito importante, uma vez que a polícia é uma instituição necessária para todos.

    "Sociedade, acorda. Nós precisamos da polícia, sim! Não deixem que coloquem o contrário na cabeça de vocês. Nós precisamos da polícia, a polícia é a nossa segurança". 

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    Tags:
    PM, Polícia Militar, Rogéria Quaresma, Djalma Veríssimo Pequeno, Luiz Gustavo Teixeira, Rio de Janeiro, Brasil
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