09:42 13 Junho 2021
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    A Sputnik Brasil continua publicando fragmentos da entrevista exclusiva com a ex-chefe de Estado brasileira, a petista Dilma Rousseff, que tem estado com uma visita nas cidades russas de Moscou e São Petersburgo entre 2 e 6 de outubro. Desta vez, tocamos o tema da potencial "virada à direita" no continente sul-americano.

    Sputnik Brasil: Então, continuando o tema da política interna brasileira, queríamos saber: por que não vemos no Brasil uma grande coalizão de esquerda, como forma de resistência ao atual modelo implantado pelo governo que a senhora presidenta contesta?

    Dilma Rousseff: Primeiro eu te respondo assim: eu só conheço dois lugares no mundo onde tem uma ampla coalizão de esquerda. Um é Portugal, e o segundo é Uruguai. Não conheço uma coalizão de esquerda na França, não conheço na Itália, não conheço na Alemanha, muito menos nos EUA, e quase em nenhum país da América Latina. E este é o problema sério da esquerda brasileira. Agora, eu queria te destacar uma coisa: pode não ter no primeiro turno, mas tem no segundo. Não se cria frentes porque eu resolvo criar uma frente. Todos os países que criaram frentes em que a esquerda teve uma participação relevante criaram porque as condições históricas permitiram que esses partidos, os diferentes partidos existentes, tivessem consciência da importância de lutar unidos.

    Falando das razões para tal tendência dentro do país verde e amarelo, a petista defendeu: mesmo sem lideranças, o PT "se transformou em um grande partido de massa" e "desde a sua fundação veio crescendo".

    Contudo, não poderia deixar à parte as recentes perturbações sofridas pelo respectivo partido, que, porém, na opinião da ex-presidente, foram criadas de modo planejado e politicamente motivado pelos "construtores" do impeachment. Entretanto, disse a política, essa estratégia parece estar a falhar.

    "Veja você que no auge da crise, quando eles estavam me tirando do poder e perseguindo o PT e o Lula, nós ainda fomos o partido com maior apoio popular. E ao contrário do que eles esperavam, porque eles esperavam não só me tirar, e destruir o PT, o Lula e todo o mundo, o PT passou a crescer para 19% dos votos. Quanto têm os demais partidos? Cinco. Quantos mais temos partidos de esquerda? Um", afirmou ela em uma conversa exclusiva com a Sputnik Brasil.

    Todavia, Dilma manifestou que seu partido é alguém que não atuou apenas sozinho, mas "sempre fez uma grande frente de esquerda", especialmente nos segundos turnos das eleições presidenciais, quando o apoio dos aliados é crucial.

    "Eu congreguei alguns partidos de esquerda, Partido Comunista do Brasil, que sempre fez aliança conosco. Sempre participamos da eleição em conjunto. O Partido Socialista Brasileiro, o Partido Democrático Trabalhista. Esses três partidos estiveram sempre unidos ao PT desde a redemocratização. […] Mas é muito possível que, em primeiro turno das eleições, cada um apresente um candidato ou alguns apresentem candidatos. Isto não significa que no segundo turno não se juntem. Porque no Brasil sempre tem dois, sempre nas eleições presidenciais, até agora. Só uma vez não teve dois turnos [nesse aspeto, a ex-presidente errou: houve só um turno nas presidenciais de 1994 e 1998]. E o segundo turno é importante, é importante porque, de fato, a coalizão do governo se forma a partir daí", explicou a petista.

    Analisando ainda as razões do enfraquecimento dos movimentos de esquerda em todo o mundo, Dilma sublinhou as dificuldades "de raíz" originadas pelas "rupturas entre os partidos comunistas, entre os partidos socialdemocratas e partidos socialistas".

    "Agora, eu acho que as rupturas começam a ocorrer menos por isso e mais pelo fato que certo segmento dos partidos socialistas ou socialdemocratas são cooptados pelo neoliberalismo e passam a ter posições neoliberais muito fortes, apesar do nome ter este componente. Então, eu acho que mudam os motivos", resumiu.

    Confira outros fragmentos da entrevista exclusiva da Sputnik Brasil com Dilma Rousseff

    Tags:
    esquerda, coalizão, PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, América Latina, Brasil
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