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    'Intervenção militar não é solução para o Brasil', diz substituto de Mourão no RS

    © Foto / Lucas Rohan
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    O comandante militar do Sul, general Edson Leal Pujol, afirmou na terça-feira que a ideia de uma intervenção militar no Brasil, recentemente defendida por setores das Forças Armadas, não é a resposta para atual crise política que o país atravessa.

    "A intervenção militar contrariando a Constituição não é a solução para o Brasil", afirmou Pujol, em evento promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre (APCA), cujo tema central era o panorama atual e as perspectivas do Comando Militar do Sul e do Exército brasileiro.

    De acordo com Pujol, a recente fala do general Antônio Hamilton Mourão, atual secretário de economia e finanças do Exército e a quem ele substituiu no Comando Militar do Sul em 2015, foi apenas uma resposta a uma pergunta, feita em uma palestra privada em Brasília, e não deve ser considerada como opinião majoritária na caserna.

    Tropas brasileiras são vistas durante uma cerimônia antes dos Jogos Olímpicos de 2016
    © AFP 2019 / VANDERLEI ALMEIDA

    "O que interessa é a posição da instituição Exército. O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, está muito bem alinhado com as posições da força. O Exército brasileiro é o fiel da balança para a estabilidade da nação", destacou o general.

    "Apesar de todas as turbulências as instituições estão funcionando de acordo com as regras existentes. Não estamos vivendo um estado de exceção […]. Vamos sempre defender os interesses da nação, mas não devemos nos manifestar politicamente", emendou.

    O comandante militar sugeriu que a solução para a crise política "virá com a ação de todos os brasileiros, que são aqueles que podem trocar seus representantes no Executivo e Legislativo e mesmo no Judiciário", e que "temos que aprender a escolher nossos representantes".

    "A maioria da população é formada de pessoas de bem e precisamos retomar nosso caminho para um Brasil melhor", comentou Pujol, pregando ainda que a população vá às ruas.

    "Se vocês estão insatisfeitos, vão para a rua se manifestar, mostrar, ordeiramente. Mas não é para incendiar o País, não é isso. São vocês, somos nós que temos de decidir qual o país que queremos", concluiu.

    No dia 15 de setembro, o general Mourão afirmou em uma palestra, em Brasília, que uma intervenção militar no Brasil seria possível, caso a crise política que o país atravessa não seja solucionada pelas próprias instituições.

    "Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso", declarou Mourão, que depois minimizou o episódio, dizendo que falava por si e não pelo Exército.

    O episódio foi superado "internamente" e não rendeu punição a Mourão, conforme informou o general Villas Bôas dias depois do ocorrido.

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    Tags:
    corrupção, crise política, protestos, política, intervenção militar, golpe militar, Associação Comercial de Porto Alegre (APCA), Comando Militar do Sul, Forças Armadas, Exército Brasileiro, Eduardo Villas Bôas, Antônio Hamilton de Martins Mourão, Edson Leal Pujol, Brasil, Porto Alegre, Brasília
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