21:30 21 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    72ª sessão da Assembleia Geral da ONU (19)
    170
    Nos siga no

    Desde 1947, o Brasil abre a Assembleia Geral das Nações Unidas. Se afirma que essa prática se iniciou em função do clima de tensão entre os EUA e a URRS, de modo a evitar conceder a preferência a um dos lados. O papel do Brasil na abertura dos trabalhos da Assembleia Geral da ONU, no entanto, não é uma regra formal.

    A tradição foi inaugurada pelo presidente da Assembleia daquele ano, Oswaldo Aranha. Naquela sessão, com o voto do Brasil, foi aprovada a criação do Estado de Israel.

    Nos 35 próximos anos, porém, a participação brasileira no órgão se resumiu aos diplomatas. Somente a partir de 1982, os diplomatas deram lugar aos presidentes que abordaram uma grande variedades de questões da agenda internacional. Sputnik Brasil destacou alguns entre inúmeros momentos que marcaram os discursos dos presidentes brasileiros em Nova York.

    Oswaldo Aranha discursa durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, 28 de abril de 1947
    © AP Photo / Harry Harris
    Oswaldo Aranha discursa durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, 28 de abril de 1947

    Primeiro presidente

    Em 27 de setembro de 1982, o primeiro presidente a discurar durante a abertura da Assembleia Geral da ONU foi o general João Figueiredo. Ele fez um discurso criticando às superpotências mundiais, as tensões entre os países e o protecionismo econômico.

    "Estamos no limiar de um mundo novo. Permita Deus que, graças a nossos esforços, seja ele um mundo melhor. O Brasil, eu vos asseguro, está pronto a cumprir sua parte nesse empreendimento", disse ele.

    Meio Ambiente

    Presidente do Brasil, Fernando Collor, é aplaudido por altos funcionários da ONU durante Rio-92, 14 de junho de 1992
    © AP Photo / Eduardo DiBaia
    Presidente do Brasil, Fernando Collor, é aplaudido por altos funcionários da ONU durante Rio-92, 14 de junho de 1992

    O pauta climática não é nova, nem para as Nações Unidas nem para o Brasil. Assim, em 1990, o presidente Fernando Collor defendeu na ONU que as nações em desenvolvimento tivessem acesso facilitado às tecnologias que ajudam a reduzir os danos ao meio ambiente. 

    Além disso, Collor convidou os chefes de Estado para a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento — Rio-92 — que foi realizada no Rio de Janeiro dois anos depois.

    Quebra das patentes dos remédios usados no tratamento da Aids

    Fernando Henrique Cardoso discursa durante a abertura da 56 Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, 10 de novembro de 2001
    © AFP 2021 / Timothy A. CLARY
    Fernando Henrique Cardoso discursa durante a abertura da 56 Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, 10 de novembro de 2001

    Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi à Assembleia Geral da ONU para defender a necessidade da quebra das patentes de remédios usados no tratamento da Aids.

    "O Brasil, que vem liderando negociações para garantir maior acesso aos mercados e melhores condições humanitárias para o combate às doenças, buscará encontrar o ponto de equilíbrio entre a necessária preservação dos direitos de patente e o imperativo de atender aos mais pobres. Somos pelas leis de mercado e pela proteção à propriedade intelectual, mas não ao custo de vidas humanas. Este é um ponto a ser criteriosamente definido. A vida há de prevalecer sobre os interesses materiais", disse o presidente, cujo programa de combate ao HIV foi destacado como um dos mais eficientes pela comunidade internacional.

    Lula propõe comitê mundial de combate à fome

    Lula o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, 25 de setembro de 2003
    © AP Photo / Kathy Willens
    Lula o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, 25 de setembro de 2003

    Lula, em seu primeiro discurso, em 2003, criticou indiretamente os Estados Unidos e as guerras travadas durante o governo de George Bush. O chefe de Estado brasileiro acusou os norte-americanos de passarem por cima da ONU e da comunidades internacional. 

    "Precisamos nos engajar política e materialmente na única guerra da qual sairemos todos vencedores: a guerra contra a fome e a miséria. Erradicar a fome do mundo é um imperativo moral e político", afirmou ele.

    "A cada dia a inteligência humana amplia o horizonte do possível, realizado prodigiosas invenções e, no entanto, a fome continua e, o que é mais grave, se alastra em várias regiões do planeta", declarou o presidente. "A fome é uma emergência e como tal deve ser tratada", acrescentou.

    Lula ressaltou, no entanto, a necessidade de um salto de qualidade no esforço internacional na luta contra a fome. 

    "Propus, neste sentido, a criação de um Fundo Mundial de Combate à Fome e sugeri formas de viabilizá-lo. Existem outras propostas, algumas já incorporadas a programas das Nações Unidas. O que faltou até agora foi a imprescindível vontade política de todos nós, especialmente daqueles países que mais poderiam contribuir", declarou o chefe de Estado. 

    Espionagem dos EUA

    Em 2013, a presidenta Dilma Rousseff, na abertura da Assembleia Geral, fez um discurso contundente contra a espionagem norte-americana, da qual o Brasil, e ela pessoalmente, foi alvo.

    "Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial", disse Dilma.

    "Dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação. Informações empresariais – muitas vezes com alto valor econômico e mesmo estratégico – estiveram na mira da espionagem. Também representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas e a própria Presidência da República do Brasil tiveram suas comunicações interceptadas", declarou.

    Antes da viagem à Nova York, Dilma anunciou o adiamento da visita de Estado que faria em outubro do mesmo ano a Washington, em razão das denúncias de espionagem.

    O fato marcou profundamente as relações bilaterais Brasil-EUA, que sofreram um considerável recuo, até o impeachment da presidenta em 2016.

    Dilma defendeu o direito à privacidade, a soberania do país.

    “Sem ele, o direito à privacidade, não há efetiva liberdade de expressão e opinião e, portanto, não há efetiva à democracia. Sem respeito à soberania, não há base para o relacionamento entre as nações”, afirmou Rousseff.

    Tema:
    72ª sessão da Assembleia Geral da ONU (19)
    Tags:
    Brasil, Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor, João Batista Figueiredo, Oswaldo Aranha, Assembleia Geral da ONU, história
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar