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    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depôs por duas horas e 15 minutos nesta quarta-feira, em seu segundo encontro com o juiz Sérgio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba. O petista chamou o processo de "ilegítimo e injusto", mas aceitou responder perguntas feitas por Moro, pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela sua defesa.

    "Apesar de entender que o processo é ilegítimo e injusto, eu pretendo falar. Talvez eu seja a pessoa que mais queira a verdade neste processo", disse Lula logo no início do interrogatório, quando o juiz informou que o ex-presidente poderia ficar em silêncio, de acordo com informações do G1.

    O depoimento terminou por volta das 16h25 desta quarta-feira, e durou aproximadamente a metade das cinco horas do primeiro depoimento presencial a Moro, realizado também em Curitiba no dia 10 de maio.

    Entre os principais assuntos respondidos por Lula, o petista teria questionado Moro "se seria julgado por um juiz imparcial". A resposta do magistrado foi a seguinte: "eu nem precisava responder a essa pergunta, mas a resposta é sim", afirmou Moro, de acordo com relato publicado pelo UOL.

    Em outros momentos, Lula teria dito que "tem pena" do ex-ministro Antônio Palocci – que prestou um depoimento bombástico na semana passada, e com forte peso incriminatório contra o ex-presidente –, e criticou a postura do MPF que estaria apenas focado em incriminá-lo.

    "Aquele PowerPoint é uma mentira", disse Lula, em referência ao slide apresentado no ano passado pelo procurador Deltan Dallagnol, e que gerou forte controvérsia à época.

    De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o petista não respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas ao longo do interrogatório.

    No processo que envolve esse segundo depoimento, Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobras. Segundo o MPF, os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal.

    De acordo com a Força-Tarefa da Operação Lava Jato, os repasses incluem a compra de um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e de cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo (SP), de R$ 504 mil.

    Em maio passado, Lula falou durante cinco horas a Moro, na ação que envolveu o tríplex do Guarujá. O juiz condenou o ex-presidente a nove anos e meio de prisão, com a acusação de ter recebido R$ 3,7 milhões em propina da OAS, por meio de reformas no apartamento e mobiliário comprado pela empreiteira.

    Moro e Lula ainda devem se encontrar frente a frente uma terceira vez, já que corre na Justiça Federal do Paraná uma terceira ação penal, que trata dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, envolvendo obras no sítio de Atibaia (SP).

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    Tags:
    Brasil, Curitiba, Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, PT, Instituto Lula, Odebrecht, MPF, corrupção, política, propina, Operação Lava Jato
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