17:03 23 Setembro 2017
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    Lula é recebido pela militância do PT na chegada para depoimento ao juiz Sérgio Moro

    Lula x Moro: afinal, julgamento é político ou não?

    Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
    Brasil
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    Cerca de 5 mil manifestantes acompanham nesta quarta-feira, em Curitiba, o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro, no prédio da 13ª Vara Federal. Um esquema especial de segurança, que mobiliza 3 mil policiais, isolou o quarteirão do prédio e implantou diversos bloqueios e alterações de trânsito na região.

    Para tentar evitar confrontos entre simpatizantes e opositores, a Secretaria de Segurança Pública recomendou que os apoiadores do ex-presidente se reunissem na Praça Generoso Marques, no Centro, enquanto os opositores se concentrassem em torno do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico.

    A Sputnik ouviu algumas lideranças sobre a expectativa do julgamento em que Lula é acusado de ter sido favorecido pela Odebrecht na compra de um terreno para sediar o Instituto Lula e a cobertura de um tríplex no Guarujá. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, as vantagens indevidas recebidas por Lula somam R$ 13 milhões.

    Para o deputado federal Ênio Verri (PT-PR), que está na capital paranaense, Lula se mostrou bem preparado para o depoimento desta quarta-feira, e vai demonstrar mais uma vez que as acusações têm cunho político.

    "Nada foi provado contra ele até agora. Esse julgamento é uma criminalização da política, hoje repleta de flagrantes de malas com dinheiro e conversas gravadas em vídeo. O julgamento e essas práticas jurídicas não são apenas contra o PT, mas contra toda a população brasileira", diz Verri.

    Já para o senador José Medeiros (PSD-MT) o depoimento de Lula será mais do mesmo.

    "Novamente, Lula vai negar os crimes que lhe são atribuídos. Será mais um procedimento da fase instrutória do processo e nada mais do que isso. O importante é o que vai acontecer com Lula, politicamente, daqui para a frente. Entendo que, com este acúmulo de processos e as sucessivas denúncias contra o PT e seus membros, o Brasil não corre mais risco algum de o Lula ser eleito, novamente, presidente da República." 

    Medeiros diz que, até ser eleito pela primeira vez, Lula tinha um teto, um limite, até onde poderia alcançar. Segundo o parlamentar, foi a partir da Carta aos Brasileiros, de 2002, que ele conseguiu ser assimilado pela direita e assim, eleger-se presidente por dois mandatos consecutivos e ainda indicar sua sucessora, Dilma Rousseff. 

    "A partir do processo que levou ao impeachment da Dilma, Lula voltou às origens e tornou a radicalizar. E então ele se perdeu: com o afastamento da Dilma, com os vários processos contra e ele e contra membros do Partido dos Trabalhadores, e contra todo esse desgaste político em que caiu. A última chance que Lula teve de voltar à Presidência da República foi em 2014, mas Dilma decidiu ignorar o 'padrinho' e ficar no poder. Começou aí o final das aspirações de Lula em ser outra vez presidente", diz Medeiros.

    Com uma visão oposta ao do senador do PSD, Leonardo Péricles, da coordenação nacional do Movimento de Luta nos Bairros e Favelas (MLB), garante que o julgamento de Lula é meramente político e não jurídico.  Ainda assim, admite que boa parte dos problemas que o ex-presidente enfrenta hoje se deve ao tipo de alianças que fez durante os dois mandatos.

    "O grande erro de Lula foi colar com nomes contrários aos interesses populares,  como Sarney, Collor e Temer. A direita está em decadência e suas forças procuram passar a ideia de que toda a esquerda é a mesma coisa, e todo o mundo é corrupto. Isso é uma mentira. A esquerda de verdade não se vende. O centro da mobilização popular não deve ficar restrito a impedir que Lula seja preso, é preciso também defender outras bandeiras importantes como a criminalização das minorias, a violência contra a mulher, entre outros", finaliza Péricles.

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    partidos, manifestações, Operação Lava Jato, eleições, corrupção, justiça, 13ª Vara Federal em Curitiba, PT, Leonardo Péricles, José Medeiros, Sérgio Moro, Ênio Verri, José Sarney, Fernando Collor, Lula, Dilma Rousseff, Brasil
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