18:42 23 Maio 2019
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    Presidente a caminho da tradicional foto dos chefes de Estado do Brics.

    O Brasil poderia deixar os BRICS? Revista acredita que sim

    © Foto : Beto Barata/PR
    Brasil
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    A publicação National Interest avaliou os movimentos recentes da política externa de Michel Temer e concluiu que, dada a pressa do governo em priorizar relações econômicas em detrimento das diplomáticas, esta poderia ser uma possibilidade.

    O artigo assinado pelo analista W. Alejandro Sanchez, conhecido especialista em assuntos relacionados a defesa e colaboração estratégica, pondera que os dois anos do presidente Michel Temer à frente do governo federal são pouco tempo para desenhar uma política externa estável. Preocupado em se recuperar do cenário de recessão econômica que domina o noticiário desde o final de 2014, o país tem se ocupado de lançar as bases para a solidificação de parcerias comerciais, superando o modelo de cooperação Sul-Sul (em que nações em desenvolvimento colaboram entre si com menos ingerência das potências industriais) que foi a marca dos governos Lula e Dilma.

    Embora reconheça aproximação entre Brasília com Moscou e Pequim, Sanchez pontua o pouco espaço que a agenda com os indianos e sul-africanos ocupa na lista de prioridades do Itamaraty desde a ascensão de Temer à presidência.

    "(…) Quanto às relações do Brasil com a Índia e a África do Sul, a ideia da cooperação Sul-Sul está paralisada. Isto é particularmente verdadeiro para a Índia, já que raramente houve novas iniciativas nas relações entre Brasília e Nova Deli, além da visita do primeiro-ministro Narendra Modi a Fortaleza, Brasil, para a cúpula dos BRICS em 2014 e algumas iniciativas relacionadas à defesa (como a Exercícios IBSAMAR [desempenhado pelas marinhas da Índia, Brasil e África do Sul] o último realizado em 2016). Em todo caso, a principal prioridade da Índia em relação à América Latina atualmente é o México e não o Brasil".

    Sanchez argumenta ainda que desde a cúpula dos BRICS em 2016, o Brasil dá sinais de que pode renegar as relações com os BRICS à segunda instância de sua prioridade estratégica. À época, a The Wire publicou um artigo relatando a contradição entre o discurso de fortalecimento com os BRICS e a prática alinhada aos interesses americanos adotadas por Michel Temer e seu Ministério das Relações Exteriores.

    "Como um dos membros fundadores do BRICS, o Brasil foi liderado por dois presidentes que, fundamentalmente, compartilhavam um conjunto de preocupações relacionadas ao papel e ao domínio dos EUA nas estruturas de governança global. Isso não é mais o caso. Apesar das incertezas relacionadas às eleições de Donald Trump, há indícios de que o Brasil retornará a uma política externa mais alinhada com os interesses dos EUA. Isso provavelmente levará a tensões com pelo menos dois estados dos BRICS — Rússia e China", dizia o artigo na época.

    Embora seja precoce afirmar o desinteresse de Brasília com os BRICS — especialmente quando o grupo discute maior atuação do Novo Banco de Desenvolvimento, a criação de uma criptomoeda conjunta e sobretudo a aproximação das eleições gerais em 2018 que mode mudar radicalmente os rumos do país — um efeito prático do novo momento das relações planejadas pelo Brasil pode ser conferido com a formalização do pedido para integrar a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

    O órgão é popularmente conhecido como "clube dos ricos" por reunir as nações mais desenvolvidas do planeta. Nenhum país dos BRICS participa.

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    Tags:
    IBSAMAR, The Wire, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), The National Interest, Ministério das Relações Exteriores, Novo Banco de Desenvolvimento, OCDE, Itamaraty, BRICS, W. Alejandro Sanchez, Donald Trump, Michel Temer, Narendra Modi, Dilma Rousseff, Nova Deli, Fortaleza, Pequim, Brasília, México, África do Sul, Índia, América Latina, Moscou, Brasil
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