13:54 18 Junho 2018
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    Ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia

    STF libera novos áudios da JBS e Cármen Lúcia fala em 'ataque ao Supremo' (VÍDEOS)

    Fernando Frazão/Agência Brasil
    Brasil
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    O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo da gravação do diálogo entre delatores da JBS em que são citados ministros do STF. De acordo com Fachin, o interesse público deve prevalecer.

    "[Há] expressa prevalência ao interesse público, quando em choque com a intimidade, nesse contexto. Quanto ao sigilo, anoto que se trata de conversa gravada e disponibilizada pelos próprios interlocutores, razão pela qual nenhuma dúvida remanesce a respeito da licitude da captação do diálogo e de sua juntada aos autos como elemento de prova", disse Fachin na decisão.

    "No que diz respeito à possibilidade de publicização do respectivo conteúdo, uma vez que, do conteúdo dos diálogos, se observam elucubrações a respeito da vida privada e íntima de terceiros, anoto que o regime da publicidade dos atos processuais é a regra geral eleita pela Constituição da República", continuou o ministro.

    Na gravação, entregue pela JBS na última quinta-feira (1º) como complemento à delação premiada, o empresário Joesley Batista (dono da JBS) e o executivo Ricardo Saud (executivo da empresa) conversam sobre ministros do STF, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu uma investigação sobre o caso.

    No diálogo, ocorrido em março deste ano, os dois delatores falam sobre as negociações que faziam à época para fechar o acordo de colaboração. Além disso, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e a presidente da Corte, Cármén Lucia, são citados ao longo da conversa, que ainda menciona Janot, o ex-procurador Marcelo Miller, e políticos, como o ex-ministro José Eduardo Cardozo.

    Em pronunciamento nesta terça-feira, a ministra Cármen Lúcia afirmou que o STF foi alvo de uma “agressão”, diante das palavras expostas pelos delatores.

    "Agride-se, de maneira inédita na história do país, a dignidade institucional deste Supremo Tribunal Federal e a honorabilidade de seus integrantes", afirmou a presidente do Supremo, que pediu ainda "prioridade e presteza" para uma apuração "clara, profunda e definitiva das alegações, em respeito ao direito dos cidadãos brasileiros a um Judiciário honrado".

    Para a ministra, a apuração tem como objetivo não deixar "qualquer sombra de dúvida sobre a dignidade deste Supremo Tribunal Federal e a honorabilidade de seus integrantes".

    Também nesta terça-feira, Fachin homologou a delação do doleiro Lúcio Funaro, que teria implicado o presidente da República, Michel Temer, e integrantes do PMDB em esquemas de corrupção.

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    Tags:
    política, Operação Lava Jato, tráfico de influência, corrupção, JBS, PGR, STF, Michel Temer, Marcelo Miller, José Eduardo Cardozo, Lúcio Funaro, Rodrigo Janot, Ricardo Saud, Joesley Batista, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia, Brasil
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