23:39 20 Agosto 2019
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    Michel Temer, presidente de Brasil

    Pressão sobre Temer: Funaro confirma pagamentos de Joesley pelo seu silêncio, diz jornal

    © REUTERS / Adriano Machado
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    Doleiro e nome do mercado financeiro ligado a Eduardo Cunha, o operador Lúcio Funaro disse em sua delação premiada que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, para permanecer em silêncio. A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta quinta-feira.

    Em sua colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Funaro confirmou a narrativa exposta pelo empresário – que teria ido ao encontro do presidente da República, Michel Temer, em março, justamente para falar do volume de pagamentos feitos ao operador e a Cunha, para ambos não falarem o que sabiam.

    Anteriormente, Funaro havia dito que os recursos financeiros recebidos da JBS seriam para quitação de uma dívida anterior. A irmã dele, Roberta Funaro, chegou a ser presa em maio, após receber R$ 400 mil de Ricardo Saud, executivo da JBS. Sem opções, o operador passou a negociar uma delação premiada, que ainda não foi homologada.

    As informações prestadas por Funaro devem constar na segunda denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá oferecer contra Temer por obstrução de Justiça e envolvimento em organização criminosa. A primeira, que tratava de corrupção passiva, acabou barrada pela Câmara dos Deputados.

    Temer nega ter cometido qualquer irregularidade e acusou Janot de perseguição, tendo inclusive pedido o afastamento do procurador-geral do caso. O pedido, porém, acabou rejeitado nesta semana pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Além de Temer, especula-se que a delação de Funaro deva atingir o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, e outros nomes próximos ao Palácio do Planalto. Remetido à PGR no início da semana para "ajustes", a delação deverá ser reenviada a Fachin até o fim da semana, para fins de homologação.

    O mandato de Janot a frente da PGR termina no dia 17 de setembro. Espera-se que ele ofereça a segunda denúncia contra Temer antes desta data.

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    Tags:
    política, Operação Lava Jato, corrupção, delação premiada, JBS, PGR, STF, Eduardo Cunha, Joesley Batista, Ricardo Saud, Geddel Vieira Lima, Luiz Edson Fachin, Rodrigo Janot, Michel Temer, Roberta Funaro, Lúcio Funaro, Brasil
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