14:39 18 Dezembro 2017
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    Petrobras mostra recuperação no balanço do segundo semestre

    Petrobras tem lucro menor e aumenta dispensas e desinvestimento

    Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas
    Brasil
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    A Petrobras vem fazendo o dever de casa, mas ainda tem o maior endividamento mundial no setor e precisa ter mais agilidade na tomada de decisões. Esses são os principais pontos da análise feita pela pesquisadora Fernanda Delgado, da Fundação Getúlio Vargas Energia (FGV Energia), ao comentar os resultados do segundo trimestre da empresa.

    No balanço de abril a junho, a Petrobras informou lucro líquido de R$ 316 milhões, queda de 14,6% em relação a igual trimestre de 2016 e recuo de 93% sobre o primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, embora menor, foi o terceiro resultado positivo da empresa, que qacumulou prejuízo de quase R$ 15 bilhões em 2016. Para justificar o resultado, a companhia alegou maiores despesas com programas tributários, o arrendamento do navio-sonda Vitória 10.000, retração de 7% na venda de derivados e maiores gastos com participações devido ao aumento da cotação internacional do petróleo. Como aspectos positivos, apontou o aumento de R$ 95 bilhões em receitas com exportações, recebimento de R$ 6,9 bilhões com a venda da participação na Nova Transportadora do Sudeste (NTS), entre outros.

    Fernanda diz que os resultados da empresa têm demonstrado uma saúde financeira melhor do início de 2016 para cá, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Segundo a pesquisadora, a companhia já demonstrou uma geração de caixa positiva, mas a dívida ainda é três vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação), que alcançou R$ 19 bilhões no segundo trimestre, contra R$ 20,4 bilhões em igual período do ano passado. Esse número, segundo ela, é muito maior do que qualquer outra petroleira no mundo. A dívida líquida da empresa está em R$ 295,3 bilhões, ante R$ 300,9 bilhões em final de março. Em dólares, o endividamento caiu 7% na comparação com dezembro, para US$ 89,6 bilhões.

    A pesquisadora da FGV Energia destaca como pontos positivos do balanço o forte exercício de redução de custos, de pessoal  e das despesas operacionais como na perfuração no pré-sal. No balanço do segundo semestre, o chamado desinvestimento atingiu não só projetos, mas também a área de pessoal, que foi reduzida em 18% até junho, através do Plano de Demissão Voluntária (PDV), que agora enxugou o quadro para um total de 63.152 empregados. Os custos de exploração, por sua vez, diminuíram 68% e as despesas com vendas e administrativas, 16%. 

    Muitos analistas têm afirmado, ao longo dos últimos anos, que uma empresa com tamanho endividamento já teria quebrado. Fernanda observa, porém, que, apesar das elevadas dívidas, a Petrobras tem, como qualquer petroleira, um grande respaldo, que são as reservas de petróleo e gás.

    "Você ainda tem o petróleo na manutenção da matriz energética mundial por muitos anos. Por mais que você tenha transformações na oferta mundial, como o shale gás americano (gás extraído da fragmentação do xisto no subsolo), que mudou o mercado, reduzindo suas importações, e fez um shift na política mundial e por isso os preços caíram muito de 2014 para cá, vão entrando novas tecnologias, novas fronteiras exploratórias, e o esforço de produção das petroleiras é cada vez mais bem sucedido.Enquanto você tiver o petróleo muito forte na matriz energética de todos os países, você ainda tem a manutenção da importância do setor e da Petrobras. No longo prazo, existe tempo e demanda suficientes para que ela recupere seu patamar anterior", sublinha a analista.

    A pesquisadora da FGV Energia diz ainda ver espaço para que a empresa prossiga com seu plano de desinvestimentos e redução de pessoal. Segundo Fernanda, o mercado como um todo —   investidores, petroleiras, fornecedores, empresas menores — está muito animado com as áreas onde a empresa vai desinvestir, como o Projeto Topázio, cerca de 100 áreas no off shore, formada por campos maduros e não mais atrativos economicamente

    "Isso é uma possibilidade não só para a Petrobras colocar dinheiro em seu caixa como para o próprio crescimento do mercado de óleo e gás que a gente precisa muito agora, já que é um setor que gera muitos empregos. A grande questão é o tempo em que essas decisões vão ser tomadas. Isso é uma preocupação que fica sempre no ar. À parte de toda boa vontade do governo, que tem desagravado o conteúdo local, reduzido a participação da Petrobras como operadora única do pré-sal, ainda existe a necessidade de maior agilidade na tomada de decisão. Isso é o que deixa o investidor preocupado com esse desinvestimento", conclui Fernanda. 

    Em termos de produção, a companhia também comemorou os resultados do primeiro, quando houve alta de 5,6%, para 2,17 milhões de barris por dia (bpd), acima da meta prevista para todo o ano, de 2,07 milhões de bpd.

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    Tags:
    endividamento, privatização, pessoal, investimento, economia, petróleo e gás, FGV Energia, Fernanda Delgado, Brasil
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