18:39 15 Novembro 2018
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    Acordo vai fortalecer cooperação entre pequenas e médias empresas

    Indústrias dos BRICS: um acordo em que todos só tendem a ganhar

    STR/AFP
    Brasil
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    O plano de ação conjunto, anunciado pelos ministros da Indústria dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), firmado na reunião em Hangzhou, na China, é o tipo de acordo onde todos os países envolvidos só tendem a ganhar. A avaliação é de Aline Ghellere, presidente da Consultoria em Negócios Exteriores (Conex).

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, a dirigente da Conex — entidade de prospecção de oportunidades em comércio exterior ligada à Universidade de Brasília (UCB) — diz que, depois de fortalecer as relações entre os países-membros do bloco em comércio, cultura, pesquisas e financiamento, com a constituição do Novo Banco de Desenvolvimento, a cooperação chega agora às pequenas e médias indústrias. Um dos objetivos do plano é fortalecer a cooperação entre esses empreendimentos.

    Aline diz que o anúncio do plano põe novamente em evidencia a força dos BRICS no cenário internacional, após dois anos em que as economias de Brasil e Rússia enfrentaram uma forte recessão. 

    "É um pacto a favor da globalização e que se contrapõe a alguns países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, e a França, que quase elegeu a Marine Le Pen, também antiglobalização. Os BRICS dão esse passo para fortalecer o micro e o pequeno empresário, os principais beneficiados por essas medidas. Será um grande facilitador para nossa economia, que tem vivido tantos reveses recentemente. Os BRICS correspondem hoje a um terço da produção industrial mundial", diz a presidente da Conex.

    Na visão de Aline, a cooperação seria muito proveitosa pelo fato dos países terem indústrias focadas em setores diferenciados, não uma concorrência tão direta. 

    "Por mais que eles tenham diferenças gigantescas, eles têm um certo nivelamento na parte da produção, e cada um tem sua especialidade pontual em certos setores. Acredito que possa ser uma boa possibilidade de intercâmbio de tecnologias e conhecimento para que todos possam se fortalecer juntos."

    A presidente da Conex cita a energia como um exemplo dessa cooperação. Aline lembra que a China hoje desenvolve um grande programa de substituição de geração energética, trocando matrizes poluentes como diesel e, em especial carvão, por alternativas mais limpas, como a eólica e solar. "Se a China puder passar todo esse conhecimento para o resto dos BRICS, isso vai ter um impacto muito bom para todo o planeta", finaliza a presidente da Conex, que há 15 anos ajuda empresários brasileiros a se internacionalizarem.

    A reunião de Hanghzou, encerrada ontem, antecede o próximo encontro dos BRICS que acontecerá de 3 a 5 de setembro, na cidade de Xiamen, na província chinesa de Fujian.

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    Tags:
    globalização, protecionismo, indústria, comércio exterior, tecnologia, cooperação, Consultoria em Negócios Exteriores (Conex), Universidade Católica de Brasília (UCB), Novo Banco de Desenvolvimento, BRICS, Aline Ghellere, Mundo
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