06:19 14 Dezembro 2017
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    O polêmico livro de 'Eduardo Cunha'

    Exclusivo: Sputnik conversou com o escritor que incomodou Eduardo Cunha

    © Foto: Reprodução/Blog do Fausto
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    O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio negou o pedido do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para suspender a divulgação do livro “Diário da Cadeia - com trechos da obra inédita Impeachment", do escritor Ricardo Lísias, que assina a obra com o pseudônimo Eduardo Cunha. Para o verdadeiro Cunha, a obra é ofensiva à sua honra.

    Porém, os desembargadores do Órgão Especial concordaram com o relator do processo, o desembargador Nagib Slaibi, que disse que o livro é apenas uma obra literária de ficção, que tem como pano de fundo a realidade política brasileira, sem ter havido portanto, anonimato, vedado pela Constituição Federal, e sim a utilização de um pseudônimo em uma obra ficcional".

    Essa não é a primeira vez que o escritor se vê em meio a uma confusão. Quando lançou “Divórcio”, em 2011,  Lísias foi acusado de expor sua ex-mulher e diversas pessoas do meio jornalístico. Após o lançamento de “Delegado Tobias”, em 2015, a Polícia Federal também instaurou um inquérito contra o livro. O autor confessou que a ideia do livro do “Diário da Cadeia” é causar incômodo.

    "Quando ele [Eduardo Cunha] diz que o livro o agride ou ofende, ele tem razão. É uma sátira política que analisa de maneira até violenta, sarcástica o atual contexto político. Mas isso é arte e não cabe censura. Sendo um romance, como foi dito desde o começo, não se aplica censura no caso. O artista é livre e escreve o que bem entende", confessa o escritor.

    O livro traz não somente homônimos de Cunha, mas todos os personagens da atual crise. Isso inclui o atual presidente Michel Temer, a ex-presidente Dilma, Lula, Sérgio Moro e outras figurinhas conhecidas do noticiário político (e policial) brasileiro. Contudo, nenhum desses fez qualquer menção a processos como o movido pelo ex-manda-chuva do PMDB.

    "Fizeram [a defesa de Cunha] um monte de coisas estranhíssimas, chegaram até a dizer que por ter 'diário' no título não era ficção  […]. No fim eu queria mesmo era fazer um protesto ao descalabro que esse processo nos levou", conta Lísias.

    Ricardo agora fica esperando pela decisão dos advogados de Cunha quanto a viabilidade de um recurso no Supremo. Para todos os efeitos, o livro continua sendo vendido e ele já planeja lançar uma nova obra sobre as delações premiadas. Já o Eduardo Cunha de verdade promete desde o ano passado, uma "obra bombástica" para expor os podres por trás da presidente Dilmar. À época, o ex-cacique da Câmara chegou a dizer que ficaria conhecido por derrubar dois presidentes do Brasil em menção ao colega de partido Michel Temer. A ver.

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    Tags:
    Divórcio, Delegado Tobias, Diário da Cadeia, Operação Lava Jato, Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Editora Record, PMDB, Polícia Federal, PT, Ricardo Lísias, Sérgio Moro, Michel Temer, Lula, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Brasília, Rio de Janeiro
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