12:23 17 Junho 2019
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    Policiais militares em operação contra traficantes na Cidade de Deus (arquivo)

    Especialista não vê luz no fim do túnel da violência que impacta sistema escolar do Rio

    REUTERS / Ricardo Moraes
    Brasil
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    Um estudo recente revelou que o Rio de Janeiro teve uma média de mais de dez tiroteios por dia ao longo do último ano, prejudicando o funcionamento de boa parte das instituições de ensino da cidade. Sobre esse assunto, a Sputnik conversou com a gestora do aplicativo Fogo Cruzado, que ajudou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a fazer esse levantamento.

    Segundo o mapeamento sobre tiroteios e disparos de armas de fogo "Educação em Alvo – Os Efeitos da Violência Armada nas Salas de Aula", realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV em parceria com o Fogo Cruzado, o Rio registrou 3.829 tiroteios entre julho de 2016 e julho de 2017, impactando diretamente na capacidade de aprendizado de crianças e adolescentes que frequentam muitas das 1.809 instituições de ensino fundamental e médio e 461 creches e serviços de educação infantil da capital fluminense, principalmente na zona norte da cidade. 

    Dos 200 dias do ano letivo de 2016, 157 tiveram escolas e creches fechadas (78,50%) por conta da violência no Rio de Janeiro. No primeiro semestre deste ano, em 99 dos 107 dias do ano letivo, escolas e creches foram fechadas por esse motivo (92,52%). Os bairros mais afetados foram Acari, Costa Barros e Cidade de Deus. Neste último, uma escola chegou a ficar paralisada por 15 dias por causa dos disparos nas imediações.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, a gestora de dados do aplicativo Fogo Cruzado, Cecília Oliveira, explicou que um dos objetivos desse mapeamento é levar ao poder público solicitações para que sejam realizadas ações imediatas a fim de evitar o comprometimento do futuro dessas gerações perdidas em meio aos tiroteios, tanto como vítimas diretas dos disparos, no caso das balas perdidas, ou como vítimas de suas consequências.

    "Essas crianças que estão expostas desde muito cedo à violência, obviamente, sofrem muitos danos por causa disso. Pode ter uma criança mais agitada ou uma muito tímida, muito fechada, uma criança que não quer ir para a escola inclusive. Dentre as recomendações que a gente fez, a gente pediu que haja um acompanhamento tanto dos alunos quanto dos professores para poder cuidar dessa vulnerabilidade emocional, psicológica da comunidade escolar", disse ela.

    Apesar dos esforços, de acordo com Cecília, o cenário é visto com bastante pessimismo, uma vez que a crise política e econômica que afeta todo o estado deve dificultar ainda mais a adoção de medidas que possam prevenir ou atenuar essa situação. 

    "Eu não estou conseguindo enxergar uma luz no fim do túnel. A gente está imerso numa crise política muito grande no estado do Rio, que é muito agravada pela crise econômica. Então, como a gente vai tratar de novas políticas públicas sem dinheiro para planejar políticas públicas? É realmente uma situação muito grave."

    De iniciativa da Anistia Internacional no Brasil, o Fogo Cruzado é uma plataforma digital que, de forma colaborativa, registra a incidência de tiroteios na região metropolitana do Rio de Janeiro. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente tanto para Android como para IOS. 

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    Tags:
    violência, tiroteio, Fogo Cruzado, FGV, Anistia Internacional, Cecília Oliveira, Costa Barros, Acari, Cidade de Deus, Rio de Janeiro, Brasil
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