11:28 09 Dezembro 2019
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    Produção de veículos Volkswagen

    Especialista sobre Volkswagen e ditadura no Brasil: 'basta simplesmente pedir desculpa'

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    A filial brasileira da empresa alemã de automóveis Volkswagen apoiou a ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985, afirma um jornal citando dados de sua própria investigação.

    O parceiro da agência analítica Avtostat, Igor Morzharetto, compartilhou suas ideias sobre a questão com o serviço russo da Rádio Sputnik.

    De acordo com o jornal Suddeutsche Zeitung que realiza a investigação, a empresa Volkswagen do Brasil teria participado da perseguição política dos oponentes do regime. Nomeadamente, a companhia vigiava seus próprios funcionários, criando "listas negras" que indicavam os ideais políticos de cada um. Posteriormente, estas informações eram transferidas à polícia política, o serviço de segurança responsável por este processo, escreve o Suddeutsche Zeitung.

    A direção central da empresa em Wolfsburg, Alemanha, preferiu não comentar o assunto e espera receber até ao fim do ano uma avaliação do historiador Christopher Kopper.

    O especialista pensa que novas multas não ameaçam a Volkswagen, porque naquela altura a situação política no Brasil era completamente diferente e já passaram muitos anos.

    "Essa história não tocou diretamente a Alemanha, e por isso é preciso reclamar dos dirigentes daquele tempo da filial brasileira", disse ele.

    O especialista disse que, usando essa lógica, podemos reclamar da marca de moda Hugo Boss que produzia os uniformes para SS durante a Guerra. Ele pergunta se é preciso fechar essa marca agora.

    "Ninguém desmente essa página da história pouco agradável, mas basta simplesmente pedir desculpa, tendo em conta que passaram tantos anos", disse Igor Morzharetto.

    Morzharetto lembrou que a empresa Mitsubishi, durante o período nazista, também fabricava os aviões que participaram mesmo do ataque a Pearl Harbor. O especialista disse que não vale a pena acusar alguém por acontecimentos que ocorreram há 50 anos.

    Respondendo à pergunta se haverá um certo contexto político nessa história com Volkswagen, Morzharetto disse que também não vê um grande problema nisso.

    "Não me parece que alguém queira dançar sobre o cadáver da Volkswagen. A empresa trabalha bem e até agora lidera no mundo pela quantidade de vendas", resumiu.

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    Tags:
    nazista, lista negra, ditadura militar, Segunda Guerra Mundial, Mitsubishi, Volkswagen, Alemanha, Brasil
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