14:37 08 Agosto 2020
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    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar duramente os seus desafetos em uma entrevista concedida nesta terça-feira. Um dos alvos foi o juiz federal Sérgio Moro, que o condenou na semana passada a 9 anos e seis meses de prisão.

    “A única coisa que eu tenho é a minha dignidade e por ela lutarei até o fim. Não vou permitir que meia dúzia de jovens mal intencionados tentem jogar minha imagem na lama. Acredito que haverá de acontecer a Justiça em outra instância nesse país”, afirmou Lula ao radialista Eli Correa, da Rádio Capital.

    O ex-presidente destacou que Moro “não pode continuar se comportando como um czar”, agindo pelo “compromisso que ele tem com a imprensa”, e que o processo contra ele por conta do tríplex do Guarujá (SP) – motivo da condenação em primeira instância – “é uma farsa”.

    “Nesse processo a única coisa que foi levada em conta foi a necessidade de prestar serviço a quem quer que o Lula não dispute a eleição”, avaliou o petista, para quem as alegações da sua defesa não foram respeitadas pelo juiz federal no processo.

    Mas Lula não criticou apenas Moro. Ele também apontou aqueles que seriam, em sua opinião, os responsáveis pela corrupção no Brasil e pela queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Sobre o impeachment, o petista responsabilizou o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    “A Dilma terminou seu primeiro mandato com uma aprovação invejável. Mas tínhamos um presidente da Câmara [Cunha] que trabalhava contra o governo, para que ele não desse certo. E esse foi um erro grave”, disse, complementando que a situação atual do país mostra que “o problema do Brasil não era a Dilma”.

    Quanto à corrupção, Lula opinou que “se não fosse o setor privado”, ela não existiria. “No Brasil, historicamente se tentou vender que o público nada é bom, só é bom no privado […]. Na tese da elite brasileira o Brasil tem que ser construído pra apenas um terço da sociedade”, comentou o ex-presidente.

    Sobrou ainda para o atual mandatário, Michel Temer (PMDB).

    “Aqueles que deram um golpe falando que o país iria virar um paraíso deixaram o país pior. Aumentou nossa dívida fiscal, aumentou o desemprego e as incertezas […]. A reforma trabalhista vai deixar um regime de semiescravidão nesse país. A única solução para o Brasil agora seria convocar eleições diretas”, explicou.

    Lula ainda defendeu as eleições diretas para a Presidência da República e pediu para que a população não perca a esperança. “Temos um legado capaz de mostrar ao Brasil que podemos consertar ele”.

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    elite, crise, Operação Lava Jato, política, corrupção, Rádio Capital, Michel Temer, Sérgio Moro, Eduardo Cunha, Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Brasil
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