15:46 24 Julho 2017
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    Turbulência política em 2018 é uma das preocupações do FMI

    Cenário político do Brasil em 2018 deixa o FMI com um pé atrás

    Jaelcio Santana/Força Sindical/Fotos Públicas
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    O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preocupado com o risco de instabilidade política no Brasil em 2018 e, em sua última reunião, rebaixou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 1,7% para 1,3%, previsto originalmente em abril. Para este ano, a previsão é de uma alta de 0,3%, contra o 0,2% projetado.

    No mercado financeiro, as apostas são de que o ano feche com um avanço de 0,3% na economia, enquanto o governo mantém a projeção de 0,5%. Ao justificarem a projeção menor para o PIB no ano que vem, os técnicos do Fundo alegam que o aumento da incerteza política no país lança dúvidas sobre uma retomada mais consistente da economia, principalmente se a reforma da Previdência for adiada ou aprovada com várias concessões, o que pode comprometer o ajuste fiscal perseguido pelo governo, que seria obrigado a adotar ações adversas ao mercado financeiro, exigindo ações fiscais por um prazo mais longo.

    No lado positivo, o relatório do FMI aponta a queda dos índices de inflação e mesmo a deflação apontada por alguns indicadores. Ainda segundo os técnicos, a decisão do governo de reduzir a meta de inflação para 4,25% em 2019 e 4% em 2020 pode deixar o Brasil em um patamar mais próximos ao dos países que trabalham com esse sistema de metas. 

    Segundo IBGE, a agropecuária puxou o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2017
    Jonas Oliveira/AEPR/Fotos Públicas

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Mauro Rochlin, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que o anúncio de queda de 0,09% do  Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em julho sobre junho teve um efeito de ducha de água fria sobre os economistas. O IBC-BR funciona como uma espécie de prévia do PIB divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O especialista lembra que o crescimento de 0,8% da indústria em maio, principalmente em bens de capital e bens de consumo duráveis, tinha animado o mercado. 

    "O quadro atual prejudica demais as decisões de investimento que, a meu ver, poderiam acontecer fortemente no setor de infraestrutura. Tem o setor de óleo e gás que ensaia alguma recuperação, tem chineses entrando no Comperj (polo petroquímico) aqui no Rio de Janeiro, previsão de um novo leilão para o pré-sal ainda esse ano. Quando bens de capital registram avanço, a gente conclui que no futuro teremos crescimento", diz o professor da FGV.

    Na opinião de Rochlin, a revisão feita pelo FMI para a alta do PIB em 2018 foi feita mais em função do quadro político do que sobre os indicadores de produção e renda. Com relação aos temores de um adiamento ou mesmo uma desfiguração da reforma da Previdência, o especialista observa que os temores são justificados.

    "Serão necessários mais recursos para cobrir o rombo, e com isso o governo vai ser obrigado a fazer um ajuste fiscal mais rigoroso, o que acaba significando retração mais forte da economia. Quando o governo economiza, isso é ruim para a economia, porque isso significa que o gasto do governo que ajudaria a turbinar a atividade de empresas não vai acontecer e com isso a atividade econômica vai se ressentir", explica Rochlin.

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    Tags:
    gasto público, política, reformas, inflação, PIB, economia, FGV, Banco Central, FMI, IBGE, Mauro Rochlin, Brasil
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