08:12 21 Agosto 2019
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    Presidente Michel Temer

    Polícia Federal diz ter provas de que Michel Temer recebeu propinas

    Antonio Cruz/ Agência Brasil
    Brasil
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    Michel Temer e o silêncio de Eduardo Cunha (69)
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    A Polícia Federal (PF) divulgou nesta terça-feira que existem evidências e provas de que o presidente do Brasil, Michel Temer (PMDB), recebeu propinas para ajudar empresas, o que aponta “com vigor” a sua participação no crime de corrupção passiva.

    Segundo o relatório enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores afirmaram que o presidente aceitou pagamentos de vantagens indevidas do grupo J&F, dono do frigorífico JBS, por intermédio do ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

    Ainda de acordo com o documento da PF, os dois peemedebistas foram procurados para prestar esclarecimentos, mas preferiram não colaborar com as investigações.

    “Diante do silêncio do mandatário maior da nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva”, escreve a PF.

    O relatório ainda acusa, pelo crime de corrupção ativa, o dono do grupo J&F, Joesley Batista, e o diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud. Ambos delataram Temer como receptor de pagamentos feitos pelo grupo, em troca de ajuda com assuntos do interesse do empresário.

    A assessoria de Temer voltou a reafirmar que o presidente não cometeu qualquer irregularidade. Anteriormente, o peemedebista negou que tenha qualquer intenção de renunciar, diante do escândalo e da crescente pressão que enfrenta dentro e fora do governo.

    Na Rússia, Temer declarou que o relatório da PF é de “juízo jurídico, e não político”.

    Tanto o presidente da República quanto Loures são investigados pelos crimes de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. A PF pediu mais prazo ao STF para concluir as apurações – entre elas está a perícia no áudio feito por Joesley em uma conversa com Temer.

    A expectativa é que o documento, quando concluído, integre uma denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fará contra Temer ao STF. Para ser aceita, a denúncia necessitaria da aprovação de dois terços do Congresso – algo que a base governista julga hoje improvável.

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    Tags:
    suborno, propina, Operação Lava Jato, corrupção, política, J&F, JBS, PGR, Polícia Federal, Ricardo Saud, Rodrigo Janot, Joesley Batista, Rodrigo Rocha Loures, Michel Temer, Brasil
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