20:13 15 Junho 2019
Ouvir Rádio
    Presidente da República Michel Temer durante a posse do ministro da Cultura, Roberto Freire, em Brasília. Dia 23 de novembro de 2016.

    Defesa de Temer pede suspensão de depoimento até fim de perícia em áudio

    © REUTERS / Ueslei Marcelino
    Brasil
    URL curta
    Michel Temer e o silêncio de Eduardo Cunha (69)
    601

    Os advogados de defesa do presidente da República, Michel Temer (PMDB), pediram nesta quarta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o peemedebista só tenha de depor à Polícia Federal (PF) após a conclusão da perícia da gravação da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, dono da JBS.

    Relator da Operação Lava Jato no Supremo, o ministro Edson Fachin autorizou a PF para colher o depoimento do presidente em um prazo de 10 dias. Por sua vez, Temer poderia só responder as perguntas dos agentes por escrito.

    Para a defesa de Temer, uma gravação que “de antemão já se sabe fraudada” torna “impossível” responder os questionamentos que venham a ser feitos pela PF ao presidente. Assim, os advogados Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Sérgio Eduardo Mendonça de Alvarenga pedem que o depoimento seja suspenso.

    No mesmo pedido, os defensores do peemedebista pedem que, se o depoimento não for suspenso, que perguntas relativas ao teor da conversa entre Temer e Batista não sejam feitas. Para os advogados, “a desejável celeridade para finalização das investigações não pode atropelar direitos individuais e garantias constitucionais”.

    De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a defesa de Temer ainda tenta desmembrar a investigação envolvendo o presidente daquela que apura a conduta de Rodrigo Rocha Loures, então deputado afastado e assessor próximo do peemedebista. Ele seria o encarregado de receber os pagamentos da JBS, segundo delação dos irmãos Batista.

    Fachin já indicou anteriormente que não aceitará estratégias que visem “ganhar tempo”. A celeridade para o depoimento de Temer considera o fato de uma investigada – Roberta Funaro, irmã do operador Lúcio Funaro – estar presa preventivamente, e neste caso a detenção não pode ultrapassar os 10 dias.

    A expectativa de Temer é não ver o depoimento representar algo contra si mesmo às vésperas do julgamento da chapa Dilma-Temer, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no próximo dia 6 de junho. A possibilidade de um pedido de vista no tribunal lhe daria também mais tempo para tentar aprovar as reformas da Previdência e a Trabalhista, vistas como fundamentais pelo mercado e que, politicamente, são essenciais para dar sobrevida à sua permanência no Palácio do Planalto.

    Tema:
    Michel Temer e o silêncio de Eduardo Cunha (69)

    Mais:

    Ministro Fachin divide investigações de Michel Temer e Aécio Neves
    Determinado com reformas, Temer diz que sua 'trajetória não será interrompida'
    Possível sucessão antecipada de Michel Temer divide o Congresso
    Tags:
    Operação Lava Jato, política, corrupção, JBS, Polícia Federal - PF, PGR, STF, Rodrigo Rocha Loures, Roberta Funaro, Lúcio Funaro, Joesley Batista, Michel Temer, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar