11:38 07 Dezembro 2019
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    Desmatamaento da Amazônia (foto de arquivo)

    Marina Silva sente os impactos da agenda ambiental mundial das políticas de Trump

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    Marina Silva, ex-candidata à presidência de 2010 e 2014, ex-ministra do Meio Ambiente e atual líder do partido Rede Sustentabilidade, concedeu entrevista exclusiva à Sputnik Brasil em que fala do "desmonte e retrocesso" da agenda ambiental do Brasil.

    Ao falar sobre os projetos virtuosos brasileiros, que existiram e foram interrompidos, e sobre a situação atual do país quanto a crises ambientais, entre eles, o desmatamento que cresceu quase 30%, Marina Silva frisou o retrocesso registrado, principalmente, no que diz respeito ao controle do desmatamento da Amazônia, que, de certa forma, pode implicar todos outros aspectos.

    "Então, hoje o Brasil vive um grande retrocesso na agenda ambiental, sobre vários aspectos na agenda de regularização de terras, por exemplo, no programa Terra Legal do governo, eles alteraram o programa porque antes você podia regularizar áreas de 1.500 hectares, eles aumentaram para 2.500 hectares. Antes, você era obrigado a morar naquela propriedade, agora você pode deixar a propriedade com terceiros, ou seja, todo esse processo de ocupação irregular de áreas públicas vai aumentar a partir desses sinais trocados e dessas 'facilidades' que o Governo está criando para os grileiros", destacou a principal ambientalista política do Brasil.

    Outro assunto que defende Marina é o conflito de interesse provocado pela participação de empresas exploradoras de combustíveis fósseis nas negociações ambientais da agenda climática e o fato da existência do conflito em questão. Segundo ela, tudo deve ser transparente e claro para o público.

    "O que eles precisam fazer é declarar claramente com transparência que tem um conflito de interesse […] é preciso que fique claro que tem um conflito de interesse, o interesse da convenção em relação ao clima, o interesse que estão ali batalhando para que a gente possa aumentar os compromissos e implementar esses compromissos é um, o interesse daqueles que lidam com a agenda de mais emissão de CO2 pelo mundo do carvão e pelo mundo do petróleo e do gás é outro interesse. Ou seja, eles têm que participar declarando claramente que estão ali na contramão dos objetivos da convenção. Mas eles não querem que sejam assim, eles querem dizer que estão ali também porque são parte do processo. Eles estão ali fazendo uma militância contrária e isso deve ficar claro para a opinião pública."

    Um dos aspectos importantíssimos, na opinião da ex-ministra, que prejudica a agenda ambiental brasileira é a fragilidade do Governo Temer, que já era registrada no governo Dilma. Trata-se da regularização e a legalização de áreas ocupadas ilegalmente. A ex-candidata à presidência frisa que foram 41 milhões de hectares, onde 60% foram para os grandes proprietários, que, por sua parte, apresentam 6% dos proprietários. Para ela, 6% representa um número gigantesco em se tratando de quem se beneficiou na hora de receber a terra. O gestor público ouve todos os setores, mas ele precisa fazer uma política pública favorável ao interesse público e não apenas ouvindo e cumprindo as exigências de um único segmento, como estamos vendo hoje nesta agenda de querer flexibilizar o licenciamento, frisa ex-ministra.

    Ao se referir à tragédia de Mariana, a ambientalista nota que o licenciamento ambiental deve ser entendido que se trata de algo de interesse do Estado ou qualquer tipo de coisa, o Estado, pelo fato de ser o poder público, isso não elimina os impactos ambientais da obra porque é feita pelo Governo do Estado ou Governo Federal ou por uma prefeitura, não diminui um impacto de uma obra que foi feita pelo empreendimento privado. Então, não pode haver essa discussão, até porque os grandes empreendimentos são na maioria das vezes feitos pelo Estado, isso não retira os impactos. O poder público não pode legislar para atender as pressões de um grupo que tem mais poder no congresso executivo, aliás, é isso que está levando o Brasil a essa crise que vivemos hoje. "É lamentável o que está acontecendo, quando a gente ouve que medidas provisórias de projetos de lei estavam sendo comprados", sublinhou Marina.

    Rede Sustentabilidade afirma sentir-se responsável com que está acontecendo não apenas no Brasil, mas em toda a região da América Latina.

    "E, principalmente, com o que está acontecendo com o nosso país, com a América Latina e todos estes retrocessos que estão acontecendo na agenda ambiental do mundo e, principalmente, com as políticas contrárias ao compromisso das mudanças climáticas do governo Obama com o presidente Trump", confessou a ex-ministra do Meio Ambiente.

    Voltando à questão do meio-ambiente brasileiro, a política aponta para os problemas que país vem enfrentando. Entre eles, grande destaque ganhou o da preservação da floresta.

    "Há inúmeras consequências que a gente terá na agenda de preservação da floresta, porque a preservação da floresta é também a proteção dos recursos hídricos, e o Brasil já vive uma grave consequência da escassez de água em várias regiões. Principalmente, em regiões como São Paulo e Rio de Janeiro. Nós temos problemas que afetam sazonalmente também estados como o Rio Grande do Sul.", explicou Marina Silva.

    Consequências dramáticas afetam toda a população da Amazônia, cujas florestas são deformadas pelas grandes queimadas. Além disso, a Amazônia sofre com o desmatamento, que, diretamente, causa os problemas de falta de água em vários estados, bem como enfraquece a agricultura e a navegação de pessoas e mercadorias na região. Segundo Marina Silva, não devem ser esquecidos os prejuízos para as populações tradicionais de índios e pescadores, de seringueiros, ou seja, todas as pessoas que vivem na floresta.

    Confira mais uma parte da entrevista com Marina Silva em breve no site da Sputnik Brasil

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    Tags:
    meio ambiente, desmatamento, Acordo de Paris, acordo climático, Marina Silva, Amazônia, Brasil
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