03:43 13 Novembro 2019
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    O ministro da Agricultura do Brasil Blairo Maggi durante visita técnica à JBS SA, na cidade de Lapa, Paraná, em meio a acusações da Operação Carne Fraca.

    Justiça brasileira foi condescendente com a JBS, afirma cientista político

    © REUTERS / Ueslei Marcelino
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    Reuniões na calada da noite, grampos, malas com centenas de milhares de reais em notas altas. O mais recente escândalo de corrupção aberto pela delação da JBS tem elementos de um filme de ficção mas suas consequências são bem reais para Brasília.

    A Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Carlos Eduardo Martins sobre a instabilidade no governo Temer e a corrupção na sociedade brasileira.

    Na avaliação de Martins, a situação do governo Temer está "cada vez mais difícil" e a recente prisão de seu ex-assessor Tadeu Filippelli adiciona mais combustível na crise política. Filipelli e os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT) foram presos pela Polícia Federal em uma ação que investiga supostos desvios na construção do Estádio Mané Garrincha, em Brasília

    "Há um certo receio de que essa operação judicial e policial de combate à corrupção ganhe realmente proporções sistêmicas e acabe atingindo setores que estavam se valendo dela para dar o golpe de estado em 2016."

    Para o professor da UFRJ, a "estratégia conservadora" para uma eventual queda de Temer seria uma eleição indireta e um dos nomes cotados nesse eventual pleito é o do atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles. O nome do ministro, contudo, deve ser visto com cautela na avaliação de Martins. "Henrique Meirelles foi presidente do Conselho de Administração da JBS — que comprou boa parte do parlamento brasileiro."

    Corrupção

    Longe de ser uma novidade, a corrupção é um flagelo de longa data no Brasil. Segundo o ranking de corrupção do Fórum Econômico Mundial, somos o quarto país mais corrupto do mundo, atrás apenas de Chade, Bolívia e Venezuela. A pesquisa foi feita com líderes empresariais de 141 economias sobre sua percepção da corrupção em seus países. 

    Na análise de Martins, a Justiça brasileira foi condescendente com a JBS e falhou em combater a corrupção com seu acordo de delação premiada.

    "O estado brasileiro foi profundamente corrompido pela sua relação com o grande capital. O caso da JBS indica isso e o quanto é débil a investigação policial e a sanção judicial sobre esses setores porque a JBS conseguiu o perdão judicial com sua delação."

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