07:55 22 Outubro 2018
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    Viviane Mozine e Rafael Simões, coordenadores do Nuares, com estudantes da Universidade de Vila Velha.

    Refugiados ganham apoio na luta pela vida e contra o preconceito no Espírito Santo

    © Foto : Divulgação / Nuares
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    O Brasil conta hoje com um número estimado de 9 mil refugiados, de acordo com dados do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), de 79 nacionalidades distintas e dos quais 28,2% são mulheres.

    O país passou a ser bem visto internacionalmente nos últimos 15 anos, como um ponto de recomeço para aqueles que tiveram de abandonar as suas nações por uma chance de recomeço. Não por acaso, o número de solicitações cresceu mais de 2.868% entre 2010 e 2015 – de 966 solicitações em 2010 para 28.670 em 2015.

    Entretanto, os desafios são muitos uma vez em solo brasileiro. A falta de assistência é recorrente e as iniciativas de apoio que existem costumam se destacar. Uma delas está localizada no Espírito Santo.

    Lá está situado o Nuares (Núcleo de Apoio aos Refugiados no Espírito Santo), que existe desde 2004. O núcleo de extensão e pesquisa funciona dentro da Universidade de Vila Velha (UVV) e é reconhecido como um dos melhores no acolhimento e apoio no país.

    Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, a professora de Mestrado em Sociologia Política da UVV, Viviane Mozine revelou um pouco da rotina diária no Nuares, que ela também ajuda a coordenar.

    “É normal ele [refugiado] chegar só com a roupa do corpo, sem documentos e relatando as dificuldades para chegar aqui no Espírito Santo. Normalmente ninguém chega de avião, muitos vêm de ônibus, a pé, de carona, e costumam vir porque ouviram que teriam apoio ou que aqui a situação está melhor”, contou.

    Acolhimento

    Uma vez que esteja no Nuares, o refugiado recebe acompanhamento junto à Polícia Federal (PF), para a solicitação de refúgio e outros documentos como a carteira de trabalho, e também tem a sua saúde avaliada. Por fim, há o apoio psicológico e um dos mais importantes: as aulas de português, já que a maioria não fala o idioma ao chegar no Brasil.

    “Acho que o que a gente faz aqui se baseia na solidariedade humana. O Brasil integra um acordo internacional para receber bem essas pessoas, então não fazemos nada mais do que o nosso papel. Ou seja, receber bem que foge da guerra e da intolerância”, disse Viviane.

    Mesmo com todo o acolhimento e apoio, os refugiados ainda enfrentam um desafio final: a integração com a sociedade, que muitas vezes expõe o seu preconceito contra aqueles que chegam ao país para reconstruir a vida. A coordenadora do Nuares crê que iss é fruto do desconhecimento da população.

    “É um desconhecimento porque o refugiado teme pela sua vida. Ele fugiu do seu país por perseguição, por ameaça, e a maioria das pessoas não consegue entender e classifica o refugiado como um clandestino, um migrante econômico. Embora o tema tenha se tornado mais debatido na mídia, ainda há esse desconhecimento. É importante informar”.

    O Nuares aceita colaborações e voluntários. Estas e outras informações podem ser encontradas na página oficial do núcleo no Facebook.

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    Tags:
    lei de migração, refugiados sírios, migração, refugiados, Universidade de Vila Velha, UVV, Núcleo de Apoio aos Refugiados no Espírito Santo (Nuares), Nuares, Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), Conare, Viviane Mozine, Espírito Santo, Brasil
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