20:19 31 Julho 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    402
    Nos siga no

    Mesmo que dividida para a reunião convocada em Washington no próximo dia 31, a Organização dos Estados Americanos (OEA) é peça-chave nos esforços da comunidade internacional para evitar um agravamento da crise na Venezuela que já deixou 48 mortos e centenas de feridos desde o início de abril, segundo especialista ouvido pela Sputnik.

    A análise é do professor de Relações Internacionais do Centro Universitário La Salle, Rafael Araújo, ao comentar o placar apertado que aprovou a convocação: 18 votos a favor, entre eles o do Brasil e dos demais sócios do Mercosul, um voto contrário (Nicarágua), duas ausências (Granada e a própria Venezuela) e 13 abstenções, a quase totalidade dos países do Caribe, sendo duas significativas — Equador e Bolívia, tradicionais aliados da Venezuela, que em 28 de abril solicitou seu desligamento da OEA.

    "A OEA está tomando a medida correta apesar da votação ter sido apertada, mas é necessário que tanto ela quanto a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) chamem governo e oposição à mesa para se encontrar uma solução política para a crise que já produziu 48 mortos e uma centena de refugiados que vieram para o Brasil.  Roraima e Amazonas vêm recebendo venezuelanos que vêm fugindo dos conflitos entre governo e oposição", diz Araújo, observando que a resolução da OEA vem com atraso, no sentido de tentar articular uma negociação entre governo e oposição.

    O professor do La Salle aponta uma aspecto importante na votação, a abstenção do Equador, país que tem sido, no últimos anos, um aliado de Nicolás Maduro. Segundo ele, a própria abstenção do Equador na votação expressa a necessidade de articulação entre governo e oposição que paralise os recentes conflitos. Diante da falta de diálogo entre Venezuela e OEA, Araújo diz que é importante a contribuição da Unasul nesse esforço de conciliação que deveria contemplar também Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O professor, no entanto, admite que essa será uma solução difícil, na medida em que tanto governo quanto oposição radicalizam suas posições e crescem os enfrentamentos nas ruas.

    Com relação ao fato de que a intermediação feita pelo Vaticano não estar obtendo êxito — ao contrário do que ocorreu no processo de pacificação entre o governo da Colômbia e as FARCs — Araújo credita essa incapacidade à própria polarização das partes. 

    "No governo do (Hugo) Chávez e nos primeiros momentos do Maduro, os conflitos se davam via disputa eleitoral e disputa midiática. Agora a gente tem as ruas como espaço de disputa e que vem levando a sérios confrontamentos físicos", conclui Araújo.

    Mais:

    Maduro acusa Trump de tentar ‘intervenção imperialista’ na Venezuela
    Rússia ajudará Venezuela a resolver crise do pão
    Tags:
    América do Sul, Venezuela, Nicolás Maduro, Rafael Araújo, Organização dos Estados Americanos (OEA), Unasul, Mercosul, Vaticano, FARCs, crise, manifestações, diplomacia, governo, oposição, refugiados
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar