03:13 18 Dezembro 2017
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    Mapa mostrando a elevação do nível dos oceanos durante a COP 21 – Conferência sobre Mudanças Climáticas, realizada em Paris

    Temendo nova política climática dos EUA, Brasil muda o tom quanto a lobistas

    © REUTERS/ Stephane Mahe
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    A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) teve um dos debates mais acalorados em torno da participação de empresas exploradoras de combustíveis fósseis nas negociações pelas mudanças climáticas. Petrolíferas foram arduamente defendidas pelos australianos. O Brasil, que costuma acompanhar a posição, recuou.

    Encerrada ontem em Bonn, na Alemanha, a UNFCCC tratou desde o início sobre o tema. Ativistas pela causa ambiental defendem que, ao autorizar que as principais responsáveis pelas mudanças climáticas a desenharem políticas de Estado em combate ao aquecimento global, a ONU virtualmente fecha os olhos para um conflito de interesses.

    Notícias da semana passada já davam conta do apoio de diplomatas australianos a estas empresas. A surpresa, no entanto, veio em função do Brasil. O país, ao lado da União Europeia e dos Estados Unidos, sempre acompanhou a posição da Austrália, mas fontes presentes na convenção relatam participação tímida da delegação brasileira neste ano. Quase neutra.

    Seria uma guinada na direção contrária à adotada anteriormente? Uma entrevista do senador Jorge Viana (PT-AC) deixou a questão mais clara: o Brasil está preocupado com a posição de negação assumida pelos americanos desde a eleição do republicano Donald Trump. Ao fim da convenção em Bonn, os americanos adicionaram uma "nota de reservas" ao relatório final, dizendo que "os Estados Unidos estão revendo sua política climática".

    Manifestantes próximos da embaixada dos EUA em Manila, Filipinas, pedem aos países industrializados que atuem sobre o crescente problema das alterações climáticas.
    © AP Photo/ Bullit Marquez
    Manifestantes próximos da embaixada dos EUA em Manila, Filipinas, pedem aos países industrializados que atuem sobre o crescente problema das alterações climáticas.

    Viana é presidente da Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, que tem como principal propósito acompanhar a agenda internacional sobre mudanças climáticas, principalmente após o Acordo de Paris. Falando à rádio Senado, o petista admitiu preocupação com os rumos do tema.

    "O presidente está fazendo a opção por energia suja, voltando a estimular o uso de combustíveis fósseis, do carvão. Isso é muito grave. O Acordo de Paris, assinado em 2015 e o mais esforço mundial pelas mudanças climáticas, fica sim sobre ameaça", declarou o senador.

    O petista presidente nas próximas segunda e terça (22 e 23), um seminário internacional promovido pelo Senado para debater a implementação de mudanças relativas ao uso de combustíveis fósseis e o desmatamento pelo Brasil.

    A posição brasileira na COP 23, que acontece em novembro deste ano, deve reverberar estes debates. O compromisso nacional é cortar 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025, com indicativo de atingir o percentual de 43% até 2030.

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    Tags:
    Acordo de Paris, COP 23, UNFCC, Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, Senado Federal, Jorge Viana, Donald Trump, Bonn, Estados Unidos, União Europeia, Alemanha, Brasil
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