01:13 20 Novembro 2019
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    Retomada da economia dá sinais contraditórios

    Economia vai ao médico: 'Melhorei, mas ainda dói quando rio'

    Arnaldo Alves/ANPR/Fotos Públicas
    Brasil
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    Em meio a prognósticos otimistas de governo e economistas quanto à recuperação da economia brasileira este ano, alguns indicadores fornecem dados contraditórios: a expectativa de uma safra 25% maior deve puxar o Produto Interno Bruto (PIB), juros e inflação caem, mas endividamento de famílias e desemprego mostram o outro lado sombrio da retomada.

    O diretor de Pesquisa da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), Eduardo Velho, concorda com a previsão do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que o PIB deve ter crescido entre 0,7% e 0,8% no primeiro trimestre deste ano — os números só serão divulgados em 1º de junho —, e que na virada em dezembro a economia avance 0,5%, interrompendo dois anos seguidos de retração: —3,6% em 2016 e —3,8% em 2015. 

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a safra deste ano deve ser a maior da história brasileira: 230,2 milhões de toneladas. No mesmo tom confiante, a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) projeta um aumento de 8,5% para o PIB do setor em 2017, após ter registrado queda de 6,65% no ano passado. Com a recuperação dos preços internacionais das commodities verificada nos últimos meses, este é um dado encorajador para a retomada econômica. 

    Do outro lado, os 14,2 milhões de desempregados, o elevado endividamento das famílias e a retração nas vendas do comércio ainda são fatores que inibem uma retomada mais vigorosa que, para muitos especialistas, só deve acontecer a partir do segundo semestre com a aprovação das reformas trabalhistas e da Previdência. Só assim, segundo esses analistas, os investimentos vão voltar. O ano passado fechou com uma retração de 10,2% nesse quesito, a terceira retração anual consecutiva.

    Na visão de Eduardo Velho, alguns setores já ajustaram estoques para os níveis mínimos, por isso qualquer demanda adicional serve para aumentar a produção, como comprovam os números da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), um importante indicador de retomada econômica, uma vez que todo aumento de produção é acompanhado pela maior demanda por embalagens. 

    "A queda da inflação já ajuda a estabilizar a renda real que para de cair. O problema é que a massa de salários está em queda porque o desemprego continua subindo. O que está tendo agora é uma recuperação com sinais de que algumas empresas estão começando a aumentar a produção, já visando a uma recuperação um pouco mais na frente", observa Eduardo Velho.

    O economista cita ainda alguns fatores que sinalizam uma retomada, como a renegociação de dívidas por parte das empresas, a melhora do grau de alavancagem das companhias e o valor de mercado das empresas em Bolsa que também teve boa recuperação no quarto trimestre do ano passado. A se manter tal cenário, ele acredita em um crescimento do PIB ao redor de 0,5% no final do ano.

    "Tem que se olhar para frente. Nos últimos dois meses já houve um aumento do número de horas extras pagas pela indústria. É óbvio que os indicadores ainda estão muito abaixo da média dos últimos anos, mas estão mostrando uma certa melhora. Não é uma recuperação típica como em ciclos anteriores, puxada pelo consumo, é mais uma recuperação muito puxada uma parte pelo agronegócio e por algum certo investimento. O pessoal estava acostumado com recuperação a partir do consumo das famílias", explica o diretor da OEB.

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    Tags:
    emprego, agronegócio, indústria, produção, inflação, juros, Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA Brasil), IBGE, Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), Eduardo Velho, Brasil
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