05:28 26 Junho 2019
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    Temer nega qualquer acordão com os ex-presidente FHC e Lula sobre crise política com delações da Lava Jato

    Temer fala de desconforto de ministros na Lava Jato e nega acordão com ex-presidentes

    Alan Santos/PR
    Brasil
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    O presidente Michel Temer reafirmou nesta segunda-feira (17) que não vai exonerar nove ministros de sua equipe que foram citados nas delações da Lava Jato , sem denúncia formal do Ministério Público, mas ele acredita que o desconforto da situação pode fazer com que os ministros deixem seus cargos.

    Nove ministros foram citados nas delações  da Odebrecht e na lista do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, porém oito têm inquérito aberto no STF, à pedido da Procuradoria-Geral da República.  São eles: o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o ministro da Agricultura  Blairo Maggi (PP), o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), ministro Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilberto Kassab (PSD-SP), o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), o ministro da Indústria,Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira (PRB) e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB-RJ). O ministro da Cultural Roberto Freire (PPS-SP) foi citado, mas não teve inquérito aberto. 

    Temer disse em entrevista à Rádio Jovem Pan, que é viciado em cumprir ordem jurídica, mas que não vai colocar ninguém para fora da sua equipe só porque foi citado na delação, mesmo no caso das graves revelações feitas pelos ex-executivos da Odebrecht  sobre o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), que é acusado nas delações de receber dinheiro de propina para levar para o partido PMDB.

    "É muito provável que alguns ministros achem que não possam continuar e fiquem desconfortáveis no cargo e saiam dele. Eu não vou colocar para fora, demitir ou exonerar simplesmente porque alguém falou de outro. Quando houver provas robustas  e a prova robusta mais evidente se dá pela hipótese da denúncia daí que eu começo a tomar providências."

    O presidente Temer falou ainda da preocupação das denúncias no que diz respeito a imagem desagradável do Brasil no exterior. Para Michel Temer as delações são estarrecedoras e desagradáveis, mas afirmou que é preciso deixar o Judiciário trabalhar. "Isso transmite uma imagem muito negativa do Brasil no exterior. Sob esse ângulo não há dúvida que é péssimo. Nós devemos paralisar as atividades do Brasil ou devemos seguir em frente? Tenho dito e vou repetir, nós temos que seguir em frente. Agora, especialmente quando as questões já estão no Judiciário, há dezenas, centenas de inquéritos já propostos e já praticamente tendo início seja no Supremo Tribunal, ou seja, em outros tribunais, ou juízes de primeiro grau, deixa o Judiciário trabalhar."

    Na entrevista, Temer ainda negou a existência de um acordão entre ele e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula com o objetivo de amenizar possíveis consequências  à classe política atingida diretamente e que está fragilizada com o avanço da Lava Jato. Temer disse que encontrou Lula em fevereiro ao prestar apoio pela hospitalização da ex-primeira dama, Marisa Letícia, que morreu no dia seguinte à visita do presidente. Na ocasião, Temer disse que Lula pediu uma conversa para tratar de reforma política, negando qualquer pacto. De acordo com Temer, esse tipo de negociação é absolutamente inviável.

    "Eu não participo não promovo, e jamais fui questionado ou perguntado a respeito disso, se toparia fazer uma coisa dessa natureza."

    No fim de semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negou através de suas redes sociais qualquer acordo com Lula ou Temer. "Não participei e não participo de qualquer articulação com o presidente Temer e com o ex-presidente Lula para estancar ou amortecer os efeitos das investigações da operação Lava Jato. Qualquer informação ou insinuação em contrário é mentirosa," escreveu FHC.

    Tags:
    crise política, pacto, acordão, demissões, ministros, Operação Lava Jato, delações, STF, Odebrecht, Luiz Edson Fachin, FHC, Lula, Michel Temer, Brasil
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