09:47 18 Agosto 2017
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    Bloco Soviético Vermelhim

    'Blocos soviéticos' se espalham pelo Brasil em homenagem aos 100 anos da Revolução Russa

    Divulgação/Bloco Vermelhim
    Brasil
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    Folia de 2017 (24)
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    Em comemoração ao centenário da Revolução Russa, a história entra no samba e vai ser contada em ritmo de carnaval no Brasil por alguns blocos soviéticos que a cada ano crescem pelo país.

    Em 1917, a Rússia  implementou o primeiro governo socialista da história, gerando a maior revolução do século XX, pois promoveu políticas de redução da miséria e da desigualdade social, mudando a realidade dos trabalhadores não só da antiga União Soviética, como refletindo essa política social em todo o mundo.

    Neste carnaval, uma das agremiações brasileiras que está celebrando o centenário da Revolução Russa é o Bloco Soviético Vermelhim, que saiu nesta sexta-feira (17) pelas ruas da cidade de Belo Horizonte. O bloco criado no ano passado pela Associação Cultural José Martí promete repetir a folia fazendo uma revolução político-social-cultural todo dia 17 (Dia da Solidariedade Internacionalista), durante o ano inteiro, na praça Sete, na capital mineira.

    Em entrevista para a Sputnik Brasil, José Guilherme Castro, um dos precursores do Vermelhim disse que a ideia de um bloco soviético permanente surgiu dentro do projeto da Associação Circuito Revolução reunindo diversas atividades político-culturais em comemoração ao centenário da Revolução Russa. Segundo José Guilherme a ideia é cada vez mais politizar o carnaval de Belo Horizonte. "Nós formamos aqui a Associação Cultural José Martí (MG), em solidariedade à Cuba. Temos uma ação internacionalista há cinco anos na Praça Sete, que quando os heróis cubanos foram presos e depois com a libertação deles passou a ser o dia 17, Dia da Solidariedade Internacional, e aí construímos a proposta do Circuito Revolução, que é tentar agregar várias atividades político-culturais para comemorarmos os 100 anos da Revolução Russa e daí surge a ideia do Bloco Soviético para contribuir com a politização do carnaval de Belo Horizonte, trazer bandeiras de lutas. Carnavalizar a política e politizar as ruas."

    O folião classifica o bloco como uma resistência ofensiva.

    "É uma resistência, mas ofensiva, com coragem de ser feliz. Os símbolos e nossos valores e referências queremos colocar nas ruas em alto e bom som, porque foram grandes contribuições dada pela Revolução Russa. É o maior acontecimento social de interesse dos trabalhadores do mundo. Nós temos mais que comemorar e anunciar."

    Em relação ao perfil dos seguidores da folia do Vermelhim, José Guilherme diz que é um encontro de todas as gerações. "O que está sendo interessante é que é bem variado. Tem o entusiamo dos jovens, mas tem também o momento da reflexão e da nossa contribuição, que já temos cabelos brancos. É um momento de encontro de gerações e de  troca de esperanças e de energia, principalmente em um momento tão difícil que o Brasil está passando. É o que nós falamos é uma resistência."

    Luanna Grammont, intérprete do Bloco Soviético, o Vermelhim, cantando a Internacional com seu filho Fidel no colo
    Divulgação/Bloco Vermelhim
    Luanna Grammont, intérprete do Bloco Soviético, o Vermelhim, cantando a Internacional com seu filho Fidel no colo

    Para animar os foliões, no repertório não pode faltar o hino da Internacional Comunista, em ritmo de samba: "Senhores, patrões, chefes supremos / Nada esperamos de nenhum (…) Façamos nós por nossas mãos / Tudo que a nós nos diz respeito", e o tradicional "Unidos Venceremos", além de canções famosas como "Coração Vermelho", da cantora Fafá de Belém.

    "Primeiro é a Internacional, que nós estamos ensaiando em ritmo de samba. Como no Circuito Revolução nós dividimos a Revolução Russa, com os 50 anos do assassinato de Chê Guevara, nós estamos lançando hoje (17) o Comandante Chê Guevara também, e várias músicas do repertório brasileiro, que estão ligadas de certa forma à resistência, à luta, ao momento específico, muito Paulinho da Viola, Chico Buarque", explicou José Guilherme.

    Sobre o crescimento dos blocos soviéticos no carnaval brasileiro, José Guilherme acredita  que a tendência é aumentar ainda mais o número de agremiações, pois para o folião a Revolução Russa é a síntese das lutas dos trabalhadores, e ressalta o importante papel dos artistas para retomar a cultura do protesto pelos blocos.

    "Eu acho que a tendência é aumentar. A política no Brasil, principalmente a esquerda, esteve muito distante da arte, da cultura. Essa participação dos artistas na vida política e na elaboração das defesas, é uma tendência que está voltando no Brasil. Era uma tradição que nós tínhamos, os artistas participavam efetivamente das lutas não só dos palcos mas na elaboração. É esse o palco que nós queremos fazer."

    De acordo com o militante do carnaval politizado, o desfile desta sexta-feira (17) foi o pontapé inicial para um ano de diversos eventos promovidos pela Associação José Martí em homenagem ao centenário da Revolução Russa, mas com foco para as lutas internas do Brasil. Entre as ações terá a ida de uma delegação brasileira para os festejos em outubro na Rússia, de onde dois jornalistas vão fazer a cobertura e o material será apresentado em novembro em Belo Horizonte. "Tem uma delegação brasileira, que já tem quase 200 pessoas que vão passar o aniversário da Revolução Russa, lá na Rússia e tem dois jornalistas que vão fazer a cobertura, e no dia 17 de novembro devemos apresentar na Praça Sete um apanhado dessa cobertura. Tem também em março, o mês da luta das mulheres. Nosso bloco vai refletir e passar um filme com a temática das mulheres ao som de samba. Tem o abril vermelho da questão agrária. Em maio tem a luta dos trabalhadores do sistema manicomial. Estamos pegando essas temas para fazer e refletir sobre as nossas revoluções, que o Brasil precisa."

    Além do Vermelhim, em Belo Horizonte, o centenário da Revolução Russa também será homenageado neste sábado (18), pelo Bloco Soviético em São Paulo, a partir das 14h, saindo do Tubaína Bar, Bela Cintra. O Bloco que vai para sua 5.ª edição, surgiu em 2013, após uma brincadeira nas redes sociais incluindo a cantora Vange Leonel, que morreu em 2014, e sua então companheira, a jornalista Cilmara Bedaque. Em 2013, o bloco reuniu 200 pessoas, no ano passado esse número subiu para quase 5 mil foliões. Este ano, o bloco conta com um carro de 13 metros de comprimento, com 20 instrumentistas para fazer a alegria dos foliões tocando as tradicionais marchinhas de carnaval adaptadas num tom de revolução pelos organizadores.

    Já em Brasília, a Revolução Russa vai ser celebrada pelo KGBloco Soviético, que estreia no Parque da Cidade no dia 4 de março. A agremiação foi criada por um grupo de estudantes da área de Humanas da UNB (Universidade de Brasília) em resposta contra o bloco de direita Aliança Pela Liberdade, que também é de estudantes da universidade. Na página do evento no Facebook, o KGBLoco Soviético chama os foliões: “ALÔ, CAMARADAS! Peguem seus confetes, foice, martelo, glitter, peruca, catuaba, sua во́дка e vamos comemorar os 100 anos da REVOLUÇÃO RUSSA. Porque é carnaval e já que a esquerda está festiva VAMOS FESTEJAR! Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum! Sejamos nós que conquistemos. Um carnaval livre e comum

    Tema:
    Folia de 2017 (24)
    Tags:
    Revolução Russa, Centenário, blocos de rua, carnaval, KGBloco Soviético (DF), Bloco Soviético (SP), Bloco Vermelhim, Associação Cultural José Martí (MG), José Guilherme Castro, Rússia, Brasil
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