13:05 22 Maio 2018
Ouvir Rádio
    Exportação Brasil

    Nova política comercial dos EUA deve beneficiar Brasil e Mercosul

    APPA/divulgação
    Brasil
    URL curta
    241

    A visita do presidente da Argentina, Maurício Macri, ao Brasil no dia 7 de fevereiro, já está mobilizando os ministérios de ambos os países. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira, se reuniu com o colega argentino, Francisco Cabrera, para estudar novas estratégias para o Mercosul.

    As reuniões realizadas desde segunda-feira, em Brasília, traçam atuações conjuntas não só de ambos os países, como também dos demais integrantes do Mercosul, para fechar novas parcerias com países asiáticos, Canadá, Associação Europeia de Livre Comércio — bloco formado por Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein — e com a própria União Europeia (UE), diálogo que se encontra paralisado há duas décadas. A estratégia vem sendo delineada desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou mudanças radicais na política comercial americana, como a retirada do país do Acordo Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), elaborada pelo ex-presidente Barack Obama com vários países asiáticos, com o intuito de enfraquecer e isolar comercialmente a China.

    Uma das iniciativas concretas dos encontros Brasil-Argentina foi a criação de uma Comissão Bilateral de Produção e Comércio que tem, entre outros objetivos, incrementar as trocas comerciais entre os dois países. Cabrera observou que essa ampliação de trocas começou a ser verificada nos últimos três meses, algo que não ocorria desde julho de 2013.

    Na visão de José Meireles, consultor da Associação Brasileira de Consultores de Comércio Exterior (Abracomex), espera-se que, com a estratégia montada entre os dois principais parceiros do Mercosul, o Brasil saiba aproveitar esse processo, o que não tem acontecido. 

    "O Mercosul não tem sido um bloco muito ativo mas, por outro lado, o Brasil não tem mantido uma postura um tanto distante do comércio internacional. Ainda assim, é uma grande oportunidade que pode acontecer, sem dúvida", diz o consultor.

    Meireles diz que, com o TPP, os EUA iriam estabelecer protecionismo contra alguns produtos que o Brasil exporta, particularmente açúcar e soja. Segundo ele, a decisão de Trump de retirar os EUA desse acordo é benéfica não só para o Brasil como para o Mercosul como um todo.

    "Temos que defender esse gesto dos EUA e tirar o máximo de proveito possível para que consigamos desenvolver o nosso comércio exterior." 

    Na visão do consultor da Abracomex, os acordos com a UE há bem pouco tempo têm sido travados pela Argentina. 

    "Poder ser que agora, com essa nova política, possamos avançar, em especial no agronegócio. Eventualmente em um novo acordo com a UE, o Brasil pode ser beneficiado pela proximidade que tem em matérias-primas e desenvolver sua a integração em todo esse processo. Em relação a mercados mais distantes, como os asiáticos, o Brasil vai se beneficiar dessa nova política dos EUA desde que possamos diversificar mercados", finaliza Meireles. 

    Mais:

    Encontro Brasil-Argentina: Entendimento primeiro no Mercosul e depois com a Europa
    Enquete revela grande número de eurocéticos na União Europeia
    Tags:
    TPP, UE, Abracomex, Mercosul, Francisco Cabrera, José Meireles, Marcos Pereira, Mauricio Macri, Michel Temer, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik