10:29 14 Agosto 2018
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    PF prevê prisão de Lula em até 60 dias

    PT denuncia requinte de ódio na perseguição a Lula

    Ricardo Stuckert/Instituto Lula
    Brasil
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    Ao participar na quinta-feira, do seminário internacional Capitalismo neoliberal, democracia restante, em Sevilha, na Espanha, a ex-presidente Dilma Rousseff disse esperar que o ex-presidente Lula se apresente como candidato na próxima eleição presidencial. Segundo Dilma, o segundo golpe em andamento no Brasil é impedir essa candidatura.

    A ex-presidente fez o comentário ao mesmo tempo em que, no Brasil, o delegado-chefe da Operação Lava Jato, Igor Romário de Paula, dava uma entrevista ao UOL afirmando que a investigação que envolve Lula é muito ampla, que a Polícia Federal não perdeu o timing da questão e que a prisão de Lula pode acontecer entre 30 e 60 dias.  De acordo com o delegado, os inquéritos sobre irregularidades na compra do sítio de Atibaia (SP) e o pagamento por palestras feitas por Lula devem ser concluídos em 30 dias.

    Para o secretário nacional de Formação Política do PT, Carlos Alberto Árabe, Dilma tem razão em defender uma nova candidatura de Lula e alertar sobre os riscos de uma articulação que o impeça de concorrer novamente a uma eleição presidencial.

    "O golpe iniciado no Brasil é uma sequência de golpes que atinge em primeiro lugar os trabalhadores com a reforma da Previdência, e que praticamente acaba com a Previdência, atinge os direitos trabalhistas e também os direitos nacionais com o pré-sal. Ela vem já numa sequência daquelas pessoas que tentam liderar um projeto diferente que estava em andamento com a presidente Dilma depois do presidente Lula", diz o secretário. 

    Árabe observa que parece haver um requinte de ódio e crueldade na perseguição a Lula, no momento em que sua esposa, Dona Maria Letícia, se encontra hospitalizada no Hospital Sírio e Libanês em São Paulo, vítima de um AVC agudo. Árabe lembra que o mesmo  aconteceu há pouco tempo com o ex-ministro Guido Mantega, que também estava com sua esposa estava passando por cirurgia em São Paulo, quando ele foi levado coercitivamente pela Polícia Federal para depor. 

    "Parece que há um desejo da nova Polícia Federal em se instuir como o quarto poder, autônomo e que pode deliberar por conta própria como se fosse um poder instituído na república. O golpe desencadeou um conjunto de dimensões que vão estrangulando a república muito parcial que se tinha no Brasil e coloca para as forças populares a retomada de um projeto radical", diz Árabe.

    O secretário nacional de Formação Política do PT relaciona o aumento dessa perseguição à indicação de Lula como candidato vitorioso em todas as pesquisas de opinião que vêm sendo realizadas desde o final do ano passado.

    "Essas coisas estão muito relacionadas. É possível que a gente venha a enfrentar a batalha pelo direito de votar para presidente novamente. Pensamos que essa batalha deve reivindicar esse direito para ser exercido já, na medida em que quem está ocupando o governo é um golpista, um usurpador. Essa batalha pela democracia vai se colocar a cada dia com mais intensidade. O nome do presidente Lula simboliza um país democrático, inclusivo, com distribuição de renda, com combate ao ódio e ao preconceito, todas as coisas que estão voltando com o governo Temer." 

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    Tags:
    abuso de autoridade, investigações, pesquisas, favoritismo, eleições, política, Lava Jato, Polícia Federal - PF, PT, Igor Romário de Paula, Carlos Alberto Árabe, Michel Temer, Lula, Dilma Rousseff, Brasil
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