10:15 15 Outubro 2018
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    Pesquisa aponta sabotagem na morte de Zavascki

    No imaginário brasileiro, queda de avião que matou ministro do STF foi ato de sabotagem

    Beto Barata/PR
    Brasil
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    Morte do ministro Teori Zavascki (13)
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    Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná de Análises de Consumidor com 2.800 pessoas de vários estados do Brasil aponta que 83% dos entrevistados acreditam que a morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira, 19, com a queda de um avião em Paraty (RJ), foi fruto de sabotagem.

    A sondagem — que tem margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo — foi realizada na quinta e na sexta-feira através de consulta on line, apontando que 15,6% acreditam que a queda foi um acidente comum, enquanto 1,3% não soube identificar o motivo ou não soube responder. 

    Zavascki era uma das quatro pessoas a bordo do avião modelo Hawker Beechcraft King Air C90, que decolou do Campo de Marte, na capital paulista, para Paraty. A aeronave, de pequeno porte, podia levar até oito passageiros e caiu por volta das 13h45 a apenas quatro quilômetros da cabeceira do aeroporto. Morreram também na queda o empresário Carlos Alberto Fenrnandes Filgueiras; Maira Lidiane Panas Helatczuk, massoterapeuta de Filgueiras; Maria Ilda Panas, mãe de Maíra, além do piloto Osmar Rodrigues. O King Air C90 não tem a caixa preta que registra todos os detalhes operacionais dos equipamentos como os aviões de grande porte, mas as equipes de busca já acharam o gravador de voz da aeronave, que agora será submetido a análise na tentativa de identificar as causas do acidente.

    Desde a queda na quinta-feira até agora, as redes sociais no Brasil fervilham de teorias conspiratórias para justificar o acidente com o avião, uma vez que Zavascki era o ministro do STF encarregado da relatoria das delações premiadas dos executivos da Odebrecht envolvidos nos escândalos apurados pela Operação Lava Jato. As delações, segundo pessoas que tiveram acesso aos depoimentos, iriam incriminar grande número de políticos de vários partidos e lideranças em Brasília. O ministro iria concluir os estudos sobre os depoimentos no próximo dia 31 e apresentar sua versão em fevereiro.

    A Sputnik Brasil conversou com o diretor do Instituto Paraná, Murilo de Oliveira, que explicou os critérios da pesquisa, dividida segundo ele, em sete faixas etárias, abrangendo desde escolaridade até posição geográfica. 

    "No calor do acidente, grande parte da população acha que foi um crime proposital. Não tenho dúvidas que, se a pesquisa fosse feita hoje, já num período mais calmo, com todo o noticiário que está saindo, talvez o resultado fosse um pouco diferente", diz o executivo. 

    Indagado se o resultado da consulta poderia ser outro, com a sondagem feita presencialmente ou por telefone e não pela internet, Oliveira garante que, pela proporcionalidade adotada, a diferença seria muito pequena. 

    "A diferença dos resultados estaria na data da pesquisa: a gente fez na emoção do acidente. Se feita por telefone ou em campo, o resultado seria muito próximo. A emoção pesa muito. A população também se informa muito, e isso faz com que as pessoas mudem de opinião", diz o diretor do Instituto Paraná. 

    O levantamento também apontou que 65% dos entrevistados são contra a indicação do juiz Sérgio Moro para o lugar de Zavascki no STF. Moro é o juiz titular da 13.ª Vara Federal de Curitiba encarregado de julgar os processos da Lava Jato. 

    "Desses 65%, diria que 70% votaram contra a ida do Sérgio Moro. A justificativa deles é de que, se Moro for para o STF, a Operação Lava a Jato vai acabar. Nada contra o juiz Sérgio Moro, mas sim ao deslocamento da função", diz Oliveira, interpretando o resultado da sondagem. 

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    Morte do ministro Teori Zavascki (13)

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    sucessão, investigações, delação premiada, acidente aéreo, redes sociais, mídia, Instituto Paraná, Lava Jato, STF, Murilo de Oliveira, Sérgio Moro, Teori Zavascki, Brasil
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