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    'Brasil tem que manter com a Rússia estrategicamente relações privilegiadas'

    © Sputnik / Elizabeth Azarova
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    Antigo ministro da Justiça do Brasil Eugênio Aragão, atual membro do Conselho Superior da Câmara de Comércio Brasil-Rússia, contou em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil como os dois países podem ampliar o comércio bilateral.

    Em primeiro lugar, Aragão ressaltou que o Brasil tem de manter relações privilegiadas com a Rússia pressupondo, talvez, que isto não dependa da conjuntura política, mas sim das razões objetivas.

    "A economia brasileira e a economia russa são complementares. Nós temos uma grande demanda de tecnologia que a Rússia tem a nos oferecer, e nós temos também nessa troca, só temos a ganhar também com nossa tecnologia, por exemplo, no setor aéreo…".

    Assim, as suas ideias coincidem com as palavras de Daniel Marteleto Godinho, antigo secretário de Comércio Exterior do Brasil, que anteriormente disse à Sputnik que a melhor solução para a crise que enfrentam a Rússia e o Brasil, devido à queda dos preços das commodities, seria "realmente mais comércio".

    Qual será o nível aceitável de comércio bilateral entre a Rússia e o Brasil?

    Lembramos que o presidente russo Vladimir Putin e a então presidente brasileira Dilma Rousseff, durante o encontro em Moscou em dezembro de 2012, acordaram uma meta de 10 bilhões de dólares no comércio anual. A meta foi reconfirmada na Cúpula dos BRICS em Fortaleza, em julho de 2015, mas ainda não foi atingida. Entretanto, Eugênio

    Aragão acredita que o objetivo ainda pode ser alcançado.

    "Com certeza, acho que [a Rússia] é um mercado muito promissor", afirmou o antigo ministro.

    Agricultura 2017
    Jonas Oliveira/AEPR/Fotos Públicas
    Anteriormente a receita para o alcance do patamar foi dada à Sputnik Brasil pelo cônsul russo em São Paulo, Konstantin Kamenev, que disse que "o problema é que é baixa a porcentagem das mercadorias, tanto do Brasil como da Rússia, com alto valor agregado, e nós poderíamos mover-nos no sentido de uma aliança tecnológica para atingir grandes patamares, como, por exemplo, o Brasil tem com a China, apenas aumentando a parcela dos produtos com alto valor agregado em nosso intercâmbio comercial".

    Mercado de carnes: "Oferta o Brasil tem e a demanda a Rússia tem"

    Entretanto, os produtos agrícolas, nomeadamente a carne, continuam sendo um dos itens cruciais na pauta das exportações brasileiras à Rússia.

    Eugênio Aragão contou que uma das suas ideias estratégicas propostas na Câmara de Comércio Brasil-Rússia será a simplificação de procedimentos da defesa agropecuária com a unificação de critérios entre a defesa agropecuária russa e a defesa agropecuária brasileira, que haja um protocolo de tratamento que atenda as demandas do mercado russo. Isso certamente contribuirá para o aumento das exportações agrícolas do Brasil para a Rússia, tendo em conta os embargos russos implementados em relações às carnes brasileiras.

    Além disso, o antigo ministro falou da "possibilidade de colocar no mercado russo produtos de caráter mais artesanal, como, por exemplo, queijo de Minas, queijo de Marajó, que são nichos de gourmet" tendo em conta o fechamento do mercado russo aos produtos agropecuários europeus e norte-americanos, inclusive o queijo, devido à "guerra das sanções".

    Resumindo as perspectivas do comércio agrícola entre os dois países, Eugênio Aragão disse o seguinte:

    "Cada país tem seus critérios. Se a gente conseguisse chegar a uma unificação de critérios, claro que o comércio ia, vamos dizer, deslanchar muito mais rapidamente porque oferta o Brasil tem e a demanda a Rússia tem."

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    Tags:
    cooperação comercial, agricultura, economia, sanções, Rússia, Brasil
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