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    Ice, um anjo da guarda com patas e focinho

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    Aos sete anos, ele já pode ser considerado um veterano: já resgatou pessoas soterradas pelo rompimento das barragens de Mariana (MG), atua em projeto terapêutico de recuperação de pacientes em um hospital e, desde pequeno, socorre banhistas nas praias de Itajaí (SC). O autor das façanhas é Ice, um cão labrador, o primeiro a atuar em praias do país.

    A epopeia de Ice começou quando ele ainda era filhote e passou a trabalhar no 7.º Batalhão de Bombeiros de Itajaí. Seu instrutor, o sargento Evandro Amorim, atendeu a um projeto do tenente-coronel Vieira que, entusiasmado com trabalho semelhante feito por cães salva-vidas na Itália, decidiu implantar o serviço na cidade catarinense. O sargento se aposentou na semana passada, mas transferiu o legado ao filho, o soldado Thiago Amorim, que continuou o serviço com seu fiel escudeiro. Os dois passam alguns dias nas praias da cidade, observando os banhistas e prestando socorro em caso de algum incidente.

    O soldado Amorim contou à Sputnik Brasil como começou a carreira hoje lendária de Ice.

    Em Santa Catarina, o Corpo de Bombeiros tem uma área de busca, resgate e salvamento com cães. Para um bombeiro militar estar habilitado a trabalhar com cães, ele precisa ser selecionado, fazer um curso e depois atuar na Coordenaria de Cães, que trabalha com toda uma linhagem que leva, em média, 11 meses para ser treinada. Ice é da quarta geração de cães de busca do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina.

    "Ele é um cão que tem como função principal trabalhar na busca de pessoas desaparecidas em áreas rurais e deslizamentos de terra em áreas urbanas. Todo o treinamento dele, desde o início,  foi realizado no mar. Nós sempre o levávamos para nadar, treinar na praia, corremos com ele pela areia, fazemos sessões de entrada e saída do mar para que ele ganhe resistência", conta Amorim.

    O sargento Amorim, condutor e formador do Ice, foi um admirador desse trabalho e pesquisou sobre o trabalho de cão-rebocador realizado na Itália. Santa Catarina tem praias com quebra de ondas, por isso o cão precisa aprender a passar a rebentação de maneira que poupe esforço para ainda nadar e levar o icebelt (boia) até a vítima.  Amorim explica que Ice atua como uma ferramenta de trabalho aos guarda-vidas. Quando há dois guarda-vidas na praia e o labrador e há um incidente no mar com três pessoas, os três atuam em conjunto. 

    Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Minas Gerais.
    Agência Brasil / Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

    "O treinamento foi feito de forma que o Ice passe a uma distância segura da pessoa em apuros, ele passa por trás, evitando que ela o agarre e comprometa a vida de ambos. Ele faz o retorno e solta a boia permitindo que a vítima a alcance. Só então ele inicia o rebocamento da pessoa para a areia." 

    Ice trabalha no mínimo três vezes por semana nas praias e sempre fora do horário de sol mais forte. Quando não está em ação, permanece na sombra sendo constantemente hidratado para que tenha todas as condições de atuar quando necessário. Desde o final do ano passado, Ice também atua em um projeto terapêutico no Hospital Marieta Konder em Itajaí, onde ajuda na recuperação psicológica e emocional dos pacientes durante as visitas. O soldado Amorim diz que a cinoterapia é um recurso bastante utilizado por hospitais na Europa e tem demonstrado ser bastante útil na recuperação da autoestima das pessoas internadas.

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    Tags:
    cinoterapia, salvamentos, praias, cão, bombeiros, treinamento, Hospital Marieta Konder, 7º Batalhão de Bombeiros de Itajaí (SC), Evandro Amorim, Thiago Amorim, Santa Catarina, Brasil
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