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    Mesmo acostumado a temperaturas elevadas no verão, o carioca anda sofrendo como nunca neste início de ano. Nos primeiros dez dias de janeiro, quatro chegaram a marcar temperaturas acima de 38 graus centígrados. O recorde até agora foi no dia 26 de dezembro, quando os termômetros atingiram 43,2 graus na Zona Oeste, com sensação térmica de 50 graus.

    Nas ruas, as pessoas fazem o que podem para escapar do calor inclemente, disputando nas calçadas qualquer sombra de marquise e um pouco do ar refrigerado que sai das portas de lojas e portarias de prédios. Atravessar grandes avenidas por volta do meio-dia se tornou um verdadeiro esporte olímpico de resistência. Ao chegar ao outro lado, não há medalha, apenas o prêmio de mais uma sombrinha.

    As altas temperaturas, contudo, não se limitam ao Rio. Mesmo no Sul, região tradicionalmente mais amena em termos de verão, os termômetros andam assustando as pessoas. Na última terça-feira, em Antonina, cidade do litoral do Paraná, foi registrada a temperatura de 38,1 graus, mas com sensação térmica de 59 graus, índice até mesmo superior ao do Deserto do Saara.

    Marlene Leal, meteorologista do 6º Distrito de Meteorologia no Rio, diz que o Brasil teve os três últimos verões bastante quentes, por que o fenômeno El Niño prevaleceu por um período longo. Segundo ela, neste ano houve um período de certa neutralidade, de dezembro para janeiro, começando de uma forma mais fraca com a La Niña, que é o oposto do El Niño, que traz temperaturas mais elevadas para a Região Sudeste e uma prcipitação irregular nesta época do ano, com muita chuva para o Sul e pouca para o Nordeste. Com a La Niña é esperada uma situação mais dentro da normalidade. 

    "Como nos primeiros dias de janeiro não tivemos entrada de frente fria, tivemos uma temperatura realmente mais alta do que o esperado. Tivemos uma média de 3,6 a 3,9 graus mais alta do que o previsto para janeiro. Nos outros anos, em janeiro e fevereiro, estávamos com uma temperatura em torno de 34,9. Tivemos esses dias avisos meteorológicos de chuva forte, principalmente no litoral sul da região metropolitana do Rio de Janeiro e da Região Serrana, provenientes não de frentes frias, mas de zonas de convergência do Atlântico Sul que trazem nebulosidade forte com formação de cumulus nimbus", explica Marlene. 

    Na quarta-feira choveu forte em algumas áreas do Rio e em outras não, o que é uma característica do verão. Nos próximos dias, a previsão é de chuvas fortes na serra, no litoral sul, na região da Costa Verde, Médio Paraíba, além de São Paulo, parte oeste e centro-sul de Minas Gerais decorrentes da convergência de umidade nessas áreas. A anunciada frente fria está totalmente concentrada no oceano, segundo o 6º Distrito de Meteorologia.

    Marlene explica os motivos por que as pessoas dizem sentir mais calor do que o exibido nos termômetros nas ruas, a chamada sensação térmica.

    "A sensação térmica é o que o nosso corpo percebe em relação à temperatura que às vezes é maior do que a registrada nas estações meteorológicas onde se tem uma padronização. O que se sente na rua e dentro de casa é uma temparatura mais elevada, o chamado índice de calor. Além da temperatura elevada, há a combinação dessa temperatura com a umidade relativa do ar. Quanto mais úmido, mais calor o corpo vai perceber. No caso do calor, é a umidade relativa e a temperatura, e no caso do frio é a temperatura versus vento."

    Apesar de reconhecer que os primeiros dias de janeiro estão bem quentes, a meteorologista diz que há um certo exagero nas notícias.

    "Não divulgamos sensação térmica como sendo 50 graus como a gente tem escutado falar. Se a umidade for baixa, essa temperatura é praticamente igual a que a gente mede nos termômetros", diz Marlene. 


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    Tags:
    desconforto, temperatura, chuvas, verão, calor, clima, 6º Distrito de Meteorologia Rio, Marlene Leal, Rio de Janeiro, Brasil
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