16:55 06 Agosto 2020
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    As vendas do comércio varejista voltaram a crescer em novembro sobre outubro de 2016, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta de 2%, no entanto, não é comemorada pelos analistas, uma vez que no acumulado do ano as vendas caíram 6,5%, o pior desempenho do setor desde o início da série histórica em 2001.

    Todos os ramos apresentam reduções, principalmente a partir de abril. Com o aumento do desemprego, a inflação ainda em níveis elevados, juros altos e restrição na oferta de crédito, os consumidores, já endividados, pisaram no freio na hora de contratar novos financiamentos.

    Para Guilherme Dietze, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), o final de 2016 está fechando um ciclo de três anos de recessão no varejo. 

    "Essa alta mensal em relação a outubro não deve ser levada muito em consideração, porque outubro foi um mês fora da curva, quando caiu 8,1% na comparação anual. Esperávamos quedas menores e de repente veio um número muito elevado. A gente nota uma queda generalizada do varejo. Desde abril, todos os setores pesquisados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) estão apresentando queda em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esperava-se um pouco do movimento da Black Friday, movimentando a venda de eletrodomésticos e móveis. Houve uma alta relativa em setembro e outubro, de 3,5%", diz o assessor.

    Dietze observa que com a injeção do 13º salário na economia o consumidor usou grande parte do recurso para o pagamento de dívidas, o que tirou o poder de compra tanto da Black Friday quanto das compras para o Natal. 

    "Não devemos ter resultado positivo neste fim de ano. As famílias também estão preocupadas com as dívidas desse início de ano, como IPTU, IPVA, matrículas escolares. Os consumidores estão endividados e cautelosos em relação ao futuro", afirma Dietze.

    Segundo a Fecomércio-SP, os setores que vêm sofrendo mais, desde o início da crise do varejo em 2014, são aqueles notadamente os bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos e veículos, que necessitam de financiamento de longo prazo. Como o crédito ficou muito mais caro e secou nos bancos, esses setores foram os mais afetados. 

    "A gente vê isso em setores básicos da economia, como supermercados e farmácias, que estão tendo quedas, mostrando que o consumidor não está conseguindo até manter o consumo básico do dia a dia", diz o assessor econômico.

    Dietze compartilha da opinião de vários economistas que esperam um corte de 0,5 até 0,75 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta e quinta-feiras, mas o efeito só deve aparecer a médio prazo. O carregamento da crise ainda deve se estender durante o primeiro trimestre. 

    "São três fatores que afetam o consumo das famílias: emprego, renda e crédito. O desemprego parou de cair, se mantendo em torno de 12 milhões; a inflação, que saiu de 10,7% em 2015, deve fechar em 6,3% em 2016 e 5% este ano; e os juros estão caindo, principalmente os futuros. Esses fatores a gente olha com bons olhos e devem surtir efeitos somente no segundo semestre", conclui Dietze. 

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    Tags:
    crédito, juros, desemprego, inflação, crise, vendas, comércio, IBGE, Copom, Banco Central, Fecomércio-SP, Guilherme Dietze, Brasil
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