03:47 15 Outubro 2019
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    Agricultura 2017

    Campo fértil para o agronegócio brasileiro em 2017

    Jonas Oliveira/AEPR/Fotos Públicas
    Brasil
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    Com a expectativa de um clima melhor e uma safra recorde de grãos, economistas preveem que o agronegócio brasileiro pode crescer este ano 2% e responder pela metade da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

    Caso as previsões se concretizem, o PIB do agronegócio, que já responde por 22% do PIB nacional, pode alavancar a retomada da economia. O governo espera uma alta de 1,2%, enquanto o mercado financeiro, mais realista, aposta em uma expansão de 0,5%. Seja como for, será um resultado melhor do que o de 2016 quando, impactado por um clima adverso, o PIB do agronegócio encolheu 6%.

    Com chuvas mais regulares, permitindo o plantio dentro do calendário previsto, a safra de grãos deve chegar a 213,1 milhões de toneladas, um crescimento de 14,2% sobre a do ano passado, conforme projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se isso acontecer, será uma reversão importante de resultados, uma vez que, no ano passado, a safra de grãos registrou a maior queda em seis anos em decorrência da forte seca ou do excesso de chuvas causas pelo fenômeno El Niño, que prejudicou as lavouras em todo o país.

    A Sputnik Brasil saiu em campo e conversou com Roberto Rodrigues, ministro de Agricultura do primeiro governo Lula, e atualmente coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), que confirmou as boas previsões.

    Segundo Rodrigues, no ano passado, o Brasil viveu as consequências do El Niño no Centro-Sul do país e na regiões Nordeste e Centro-Oeste, que registraram grandes prejuízos nos plantios. 

    "A seca afetou toda a franja Norte, de milho e soja. No centro-Sul, as áreas afetadas foram as de café e cana de açúcar. Este ano não tem o El Niño, tem a La Niña, que não está sendo muito agressiva", diz Rodrigues. 

    Segundo o coordenador da FGV Agro, o clima está ocorrendo razoavelmente bem no Sul do país até metade do Estado de São Paulo, no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, de maneira geral. Na parte oeste do País (Minas Gerais, Bahia), Nordeste (que inclui Maranhão, Piauí) e a região canavieira do Nordeste (Alagoas e Pernambuco), contudo, não o clima ainda não tem ajudado os produtores. "Não há ainda uma posição clara de como vai ser a produção agrícola desse ano."

    Na avaliação do especialista, a produção de grãos, concentrada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Sul do país, terá um bom desempenho. Na região Sudeste e na Centro-Oeste, canaviais, cafezais e laranjais, por circunstância de mercado, apresentam valor muito melhor este ano do que no ano passado. 

    "A oferta mundial de açúcar caiu bastante, a oferta de suco de laranja está estabilizada em relação à demanda e o café, que sofreu geada e seca no ano passado, tem bons preços. São três produtos que, embora tenham produção um pouco menor por causa de clima, terão vantagem de preços, melhorando o PIB do setor."

    Os demais grãos (soja, milho e algodão), na perspectiva de Rodrigues, também terão boas oportunidades por causa do clima. O horizonte é de melhor renda, inclusive para as carnes, porque os países emergentes são cada vez mais demandantes. 

    "A expectativa é que haja crescimento do PIB do agronegócio este ano bem acima do que foi no ano passado, embora ainda seja um pouco cedo para afirmar isso com convicção. Precisamos esperar mais um mês pelo menos", conclui o coordenador da FGV Agro.

    Tags:
    PIB, clima, safra, cotações, commodities, agronegócio, Conab, FGV Agro, Roberto Rodrigues, Brasil
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