11:43 20 Novembro 2017
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    Mudanças na educação

    Ministro da Educação recebe nova chuva de críticas de estudantes

    David Alves/Palácio Piratini/Fotos Públicas
    Brasil
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    Em longa entrevista à revista "Exame", o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), disse não acreditar que a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, que limita por 20 anos os gastos públicos à inflação do ano anterior, possa prejudicar ainda mais a qualidade da educação no Brasil.

    "Pior que está não fica", disse o ministro ao se referir aos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), que colocou o Brasil na 63.ª posição do ranking mundial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "É uma catástrofe", disse o ministro, lembrando que os aportes em Educação não vão diminuir, ao contrário, passarão de R$ 127 bilhões este ano para R$ 139 bilhões em 2017.

    Mendonça Filho também se disse contra os programas de intercâmbio de graduação, uma vez que o governo não tem dinheiro para bancá-los.

    "Mandávamos estudantes para o exterior que muitas vezes não sabiam nem falar o idioma a um custo de mais de R$ 100 mil por aluno em um ano. Isso é uma inversão de prioridades para os alunos mais pobres."

    Contrariando o ministro, estimativas de um estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização da Câmara dos Deputados revela que cerca de um terço dos recursos destinados à educação precisará ser cortado para respeitar o limite de gastos em 2018.

    A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Camila Lanes, não poupa críticas às declarações do ministro.

    "Não reconheço Mendonça Filho como ministro da Educação e nem o trabalho que tem feito no ministério, que agora visa a fazer reformulações no ensino sem consultar o movimento educacional. O ministro está totalmente errado no que está dizendo. A gente vê o quanto ele se esforça para não entender a realidade da educação pública, e critica o fato de os estudantes saírem do país sem entender e ser fluentes em outras línguas. Isso só demonstra que ele não compreende a importância que esses cursos têm. É lastimável." 

    A presidente da UBES diz que não consegue ouvir uma frase completa do ministro quando ele fala do financiamento da educação. 

    "Ele fala do financiamento da educação cortando da educação pública como ele está fazendo com essa medida provisória ou quando está falando da demissão em massa dos professores com a apresentação (da proposta) do notório saber. É ridículo ver como ele tenta criticar a organização pública, e agora ele reconhece que tem problemas na educação pública. Temos uma rede de 50 milhões de estudantes secundaristas que estão sendo afetados por um congelamento no desenvolvimento da educação básica. Enquanto isso o ministro está preocupado com análises nacionais e internacionais."

    Camila diz que aumentar os currículos de disciplinas como Português e Matemática na grade escolar é basicamente declarar que os estudantes secundaristas vão servir apenas para que o governo federal só tenha pontos positivos em seus testes de análise da educação básica. 

    "É triste, revoltante, e é por isso que mais uma vez os estudantes das escolas públicas ocupam as escolas e fazem esse movimento lindo pelo Brasil."

    Ela dá um último conselho aos estudantes:

    "Fiquem atentos às novas formas de avaliação e de ingresso na universidade pública. Corremos o risco agora, estudantes de escolas públicas, de não termos a oportunidade de ingressar numa universidade pública com a implementaçao da Medida Provisória 746."

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    Tags:
    escola pública, cortes, reformas, avaliação, ranking, educação, UBES, Câmara dos Deputados, Ministério da Educação, OCDE, Camila Lanes, Mendonça Filho, Brasil
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