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    Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a desiguladade no Brasil voltou a diminuir no ano passado em relação a 2014. O recuo, o 11º consecutivo, se deveu, porém, porque o rendimento das classes mais elevadas teve redução maior que a dos mais pobres.

    O índice de Gini, que mede  o grau de concentração de renda, recuou de 0,497 em 2014 para 0,491 em 2015, considerando-se todas as fontes de receitas da população com 15 anos ou mais. A conta considera salário, pensão, aposentadoria, programa social, pensão alimentícia, entre outros. O índice de Gini varia de 0 a 1 e quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade.

    A menor desiguldade foi registrada na Região Sul (0,450) e a maior, no Centro-Oeste (0,498). Entre estados, o menor índice de desigualdade ficou com Santa Catarina (0,419) e o maior, com o Distrito federal (0,555). Segundo a pesquisa, a desigualdade salarial também diminuiu, atingindo 0,485 no ano passado, contra 0,490 em 2014. A Região Nordeste apresentou o maior índice (0,498) e a Região Sul ficou com o menor (0,441). A maior redução, porém, foi observada no Sudeste, onde o índice baixou de 0,478 para 0,471 entre 2014 e 2015.

    Embora concorde com a importância do levantamento, Dário Sousa e Silva, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), diz que é preciso observar algumas leituras importantes para compreender a questão.

    "Quando se fala do índice Gini e dados gerais sobre desigualdade, a gente tende a imaginar os extremos: os mais pobres em relação aos mais ricos. Na verdade, o Brasil é um país muito desigual. O Brasil tem uma série de faixas salariais muito diferentes. Até o final dos anos 90, por exemplo, o salário mais baixo na Suécia era só cinco vezes menor que o salário mais alto. Isso é inimaginável para o cenário brasileiro." 

    Sousa e Silva também chama a atenção para o fato de que, quando se diz que a desigualdade diminuiu, siginifica que houve um achatamento entre faixas. 

    "Temos menos camadas de renda salarial, porque houve uma redução em todos os níveis, mas essa redução não foi na mesma intensidade. É importante que a gente perceba quem perdeu mais. O Brasil, pouco antes da divulgação dessa pesquisa, já tinha aumentado  em termos absolutos o número de milionários. Então a gente teve um achatamento dos assalariados, mas outros planos de capitalistas foram favorecidos." 

    A redução dos salários, segundo o professor, não foi linear, foi mais intensa em alguns grupos, fazendo com que segmentos de renda que eram mais  elevados passassem a engrossar um grupo de renda mais baixo. 

    "É sempre interesante ler os dados de mobilidade social. A gente pode ler em comparação com dados do próprio IBGE de anos atrás ou fazer uma comparação temporal entre a geração de 30 anos atrás e a de agora que tem a mesma idade. Um trabalhador assalariado de 40 anos ganha quanto a mais ou a menos do que a geração de seu pai na mesma idade?"

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    Tags:
    gerações, concentração, regiões, salários, pesquisa, desigualdade, UERJ, IBGE, Dário Sousa e Silva, Brasil
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