01:57 24 Julho 2019
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    Sérgio Cabral

    Procuradores acusam Cabral de receber 'mesadas' de construtoras

    Bruno Itan/GERJ
    Brasil
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    Preso nesta quinta-feira (17) pela Polícia Federal (PF), o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal e a Receita Federal de ter recebido mesadas de empreiteiras no período referente a seus dois mandatos, entre 2007 e 2014.

    De acordo com as investigações, Cabral chefiava de uma organização criminosa que recebia dinheiro de construtoras para fraudar licitações para a execução de grandes obras públicas no estado com recursos federais. O ex-governador também é acusado de lavagem de dinheiro.

    Segundo o Coordenador da Força Tarefa da Lava-Jato/RJ, Lauro Coelho Junior, Sérgio Cabral chegou a receber mesadas em torno de R$ 350 mil da construtoras Andrade Gutierrez e de R$ 200 mil da Carioca Engenharia que, onde no segundo mandato do ex-governador,a propina aumentou para R$500 mil por mês.

    "Esses pagamentos ocorreram entre 2007 e 2014, entre os dois mandatos do governo Sérgio Cabral. Em relação a Andrade Gutierrez foi afirmado que havia um pagamento de uma mesada de R$ 350 mil, isso foi pago por pelo menos um ano. Em relação a Carioca Engenharia, houve pagamento de mesada de R$ 200 mil no primeiro mandato e no segundo mandato Sérgio Cabral essa mesada subiu para R$ 500 mil por mês. De forma que a investigação comprova e aponta um pagamento de propina pela Andrade Gutierrez de pelo menos R$ 7,7 milhões e pela Carioca Engenharia de pelo menos R$ 35,5 milhões.'

    Já o Procurador da República MPF/PR, Athayde Ribeiro Costa ressaltou que mesmo após o término do mandato de Sérgio Cabral ele ainda recebia propina das empreiteiras, por isso foi pedida sua prisão como prevenção a novos delitos.

    "Foram vários crimes de corrupção seriados e lavagem de ativos também de forma profissional, com pagamentos de bens e serviços, com valores de propina em momentos recentes ainda, por exemplo até 2015 pelo menos há identificação desses pagamentos e também em 2016. Há necessidade de recuperação do produto do crime e o saldo de propina a receber constante da planilha da Andrade Gutierrez. Esse conjunto de fatores de risco, aliada a forte influência do representado tornam necessária a prisão preventiva para prevenir a prática de novos delitos e recuperação do produto do crime."

    As investigações contra Sérgio Cabral tiveram início em julho, a partir de informações colhidas em acordos de delação premiada de executivos da  Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia.

    A Polícia Federal e o Ministério Púbico Federal basearam as acusações conta o ex-governador após analisar irregularidades em três obras, cada uma orçada em mais de R$ 1 bilhão: a reforma do Maracanã para a Copa de 2014, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Favelas e o Arco Metropolitano.

    Os investigadores da Lava Jato em Curitiba, também verificaram a contratação da Andrade Gutierrez para realizar a obra de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Estado do Rio (Comperj).

    Depois da prisão  Sérgio Cabral pela manhã em casa, na Zona sul do Rio, o amigo e ex-assessor do ex-governador, Paulo Fernando Magalhães Pinto se entregou na tarde desta quinta-feira, à Polícia Federal.

    O ex-assessor de Cabral também estava com a prisão decretada pela Justiça por envolvimento no esquema de propina chefiado pelo ex-governador do Rio. A esposa de Cabral, a advogada Adriana Ancelmo, também foi para a Polícia Federal no Centro do Rio, onde foi conduzida coercitivamente para prestar explicações sobre o esquema de corrupção.

    Com Magalhães Pinto, a operação Calicute da Polícia Federal concluiu a prisão de 10 pessoas ligados ao esquema.

     

     

     

    Tags:
    operação calicute, prisão, empreiteiras, obras públicas, corrupção, propina, Operação Lava Jato, Receita Federal, Polícia Federal - PF, MPF, Paulo Fernando Magalhães Pinto, Sérgio Cabral, Brasil
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