18:40 22 Outubro 2020
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    A publicidade brasileira voltou a gerar polêmica na internet no último final de semana, após a publicação de uma homenagem de muito mau gosto no Dia do Ginecologista por um hospital do Rio Grande do Sul, que, na verdade, alegou não ser o responsável pela "brincadeira".

    A dita homenagem, publicada no último domingo, 30, em um perfil no Facebook supostamente ligado à Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul (acreditava-se inicialmente), trazia a imagem de uma mulher em posição de exame acompanhada de uma declaração extremamente machista e desrespeitosa: "Sabemos que são estritamente profissionais. Mas, mesmo assim, nós invejamos vocês". A publicação, rapidamente, se tornou um grande viral nas redes, irritando muitos internautas, que se manifestaram com duras críticas ao hospital gaúcho. 

    A repercussão dessa publicidade negativa e agressiva foi tão grande que a Secretaria Municipal de Saúde se sentiu obrigada a publicar uma nota de repúdio pelo ocorrido.  

    Pouco depois do início da confusão, na última segunda-feira, a Santa Casa de Misericórdia emitiu um comunicado na tentativa de esclarecer a situação, se eximindo de qualquer responsável pelo ocorrido e também repudiando a homenagem.

    Horas mais tarde, um médico identificado como Orfelino Guimarães da Silveira, que teria trabalhado na Santa Casa, assumiu a culpa pela publicação através de um texto divulgado em seu perfil no Facebook. Segundo o profissional, a página na qual a homenagem havia sido publicada era administrada exclusivamente por ele, como uma espécie de fan page, não sendo, portanto, um meio oficial de comunicação da instituição.

    "Ocorre que criei a página para divulgar assuntos científicos e informações úteis à comunidade lourenciana. Quando foi criada a intenção única e exclusiva desta era de enaltecer e explicar à população o máximo quanto ao funcionamento do Hospital e dirimir dúvidas, especialmente da população local, surgidas com a relação hospital/paciente/médico/enfermagem", afirmou Orfelino.

    Ainda de acordo com o médico, no último dia 30, ele decidiu prestar "uma homenagem aos (às) colegas ginecologistas e, por engano", acabou publicando na página errada — queria publicar em outra página que diz manter com assuntos exclusivamente médicos (Dr. Orfelino Guimarães da Silveira) —, a qual ele afirma não utilizar desde quando foi "desvinculado do plantão SUS de Obstetrícia da Santa Casa, onde tinha vinculação empregatícia. Ficando desde então a página abandonada". 

    Sobre a polêmica maior, Orfelino explica que, ao escolher a foto, não se atentou ao seu conteúdo: 

    "Postei uma das primeiras fotos encontradas no Google (dia do ginecologista – imagem) para homenagear os (as) colegas, sem a menor das intenções, especialmente machista, como a maioria dos (as) críticos (as) se manifestou; mas apenas de homenagear os (as) ginecologistas".

    Apesar de, segundo ele e a Santa Casa, não haver uma ligação direta entre as duas páginas, a nota do médico em seu Facebook revela uma relação íntima entre os dois perfis (o que não significa que a instituição seja responsável pelas publicações de Orfelino). 

    Publicidade de mau gosto

    Essa não foi a primeira vez que uma campanha publicitária chama a atenção no país por utilizar discursos, imagens ou ideias controversas. No início deste ano, por exemplo, em Esteio, também no Rio Grande do Sul, publicitários geraram forte indignação por utilizar a foto do menino sírio Aylan Kurdi, que morreu afogado em uma praia da Turquia, para promover uma escola de natação. 

    A propaganda em questão foi publicada em um jornal local. Nela, a escola, a FitFlex Aquacenter, tenta alertar os pais sobre o que pode acontecer com o seu filho caso ele não aprenda a nadar ainda bebê. E, para isso, usa o exemplo de Aylan, de apenas três anos, morto junto com sua família, em alto-mar, quando tentavam atravessar da Turquia para a Grécia em um barco com outros refugiados. 

    Em 2011, a rede de lojas de roupas Renner precisou retirar do mercado um lote de camisetas que tinham como estampa um símbolo utilizado pela banda britânica de rock neonazista Skrewdriver. Mesmo depois de se desculpar pelo ocorrido, a empresa foi investigada pelas autoridades. Dois anos depois, o setor do vestuário voltou a ser abalado pela falha cometida por outra grande marca do setor, a Marisa, que lançou uma camisa com a frase "Great rapers tonight" (Grandes estupradores esta noite), ao invés de "Great rappers tonight" (Grandes rappers — artistas de rap — esta noite). 

    Assim como os ginecologistas precisam ser éticos, com um alto grau de preparo e qualificação para desempenhar suas funções, com total respeito às suas pacientes, produtos publicitários também dependem de profissionais sérios, que saibam exatamente o que estão fazendo antes de assumirem responsabilidades diante de seus clientes e públicos. 

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    Tags:
    publicidade, machismo, ginecologista, Santa Casa de Misericórdia de São Lourenço do Sul, Marisa, Renner, Google, Facebook, Orfelino Guimarães da Silveira, Rio Grande do Sul, São Lourenço do Sul, Esteio, Brasil
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