18:26 30 Julho 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    17210
    Nos siga no

    A 10ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que o Brasil é o país que mais registrou mortes violentas o período de 2011 a 2015, matando mais do que um país que está em guerra, como por exemplo a Síria.

    Segundo o estudo divulgado nesta sexta-feira (28) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, neste período foram registradas no Brasil 278 mil casos de homicídios dolosos, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e outros óbitos decorrentes da intervenção policial no Brasil contra 256 mil mortes na guerra da Síria.

    O relatório mostra ainda outros dados preocupantes. O Brasil ainda ocupa o primeiro lugar no ranking de mortes provocadas por policiais. São 160 assassinatos por dia, sendo 1 a cada 9 minutos. Desse total, pelo menos nove foram mortes cometidas por policiais em 2015, por dia, resultando num total de 3.345 pessoas. O número é 6,3% superior ao registrado no ano anterior. A taxa brasileira de letalidade policial, de 1,6 morte a cada grupo de 100 mil pessoas, supera a de países como Honduras (1,2) e África do Sul (1,1).

    Ao falar dos dados alarmantes, o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima destaca que  apesar dos dados significativos, o Brasil parece não dar a devida importância ao problema.

    "O Brasil apresenta umas mortes violentas intencionais em uma proporção mais acentuada do que acontece na Síria, mas infelizmente, nós nos acostumamos com essas informações e não nos indignamos. A gente não enfrenta o problema de forma articulada e integrada."

    Já entre os estados mais violentos, o Anuário aponta Sergipe com 57,3 mortes violentas intencionais a cada grupo de 100 mil pessoas, em seguida Alagoas, que apresenta 50,8 mortes para cada grupo de 100 mil) e o Rio Grande do Norte (48,6). Já os estados que registraram os menores índices de mortes violentas intencionais foram São Paulo (11,7 a cada 100 mil pessoas), Santa Catarina (14,3) e Roraima (18,2). 

    Já As unidades da Federação que mais aumentaram o número de mortes violentas foram o Rio Grande do Norte (elevação de 39,1%), Amazonas (19,6%), e Sergipe (18,2%). Os que mais diminuíram foram Alagoas (queda de 20,8%), o Distrito Federal (-13%), e o Rio de Janeiro (-12,9%). 

    Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima quando os estados possuem políticas públicas unindo governos do Estado e Federal, o problema é priorizado e os resultados se mostram positivos com a redução de mortes violentas, como por exemplo, em Alagoas (-20,8%), Bahia (-0,9%), Ceará (-9,2%), Distrito Federal (-13%), Espírito Santo (-10,7%), Pernambuco (+12,4%), Rio de Janeiro (-12,9%), e São Paulo (-11,4%).

    "O estado que até o ano passado era considerado mais violento do país que é Alagoas, ainda é um estado bastante violento, conseguiu reduzir em quase 21% suas estatísticas de mortes violentas intencionais. Alagoas é o único estado do país, que teve um programa integrado entre governo estadual e governo federal. Os estados que se articulam entre si, nas suas próprias instituições tem bons resultados. E um estado que além disso se articula com o governo federal, os resultados são melhores ainda."

    O Anuário também registrou que o total de policiais vítimas de homicídios em serviço e fora do horário do expediente também é elevado no Brasil. Em 2015, foram mortos 393 policiais, 16 a menos do que no ano anterior. Proporcionalmente, os policiais brasileiros são três vezes mais assassinados fora do horário de trabalho do que no serviço: foram 103 mortos durante o expediente, um crescimento de 30,4% em relação a 2014, e 290 mortos fora do trabalho, o equivalente a uma queda de 12,1% em relação a 2014), normalmente ocorridas em situações de reação a roubo (latrocínio).


    Tags:
    Brasil, Síria, Renato Sérgio de Lima, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, anuário, violência, mortes, policiais, ranking, guerra
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar