23:52 23 Outubro 2019
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    Sífilis ameaça mulheres grávidas

    Ministério da Saúde confirma epidemia de sífilis no Brasil

    André Borges - Agência Brasília
    Brasil
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    O Ministério da Saúde confirmou que o Brasil enfrenta uma epidemia de sífilis, com uma alta significativa de casos confirmados em todo o país. Segundo o ministro Ricardo Barros, o governo vai mobilizar profissionais de saúde e sociedade para tentar deter o avanço da doença com medidas como ampliação de testes rápidos para diagnóstico.

    A prioridade serão as gestantes até o primeiro trimestre de gestação. Levantamento do ministério revela que 50% dos casos só são detectados hoje após esse período, quando as chances de tratamento do bebê são menores. Uma das ênfases do plano será a realização de campanhas para que as gestantes iniciem o pré-natal ainda no primeiro trimestre de gestação.

    Ainda segundo números do ministério, a sífilis em gestantes no país passou de 3,7 para 11,2 casos a cada mil nascidos vivos, um aumento de 202%. A taxa de bebês com síficlis congênita em 2015 foi de 6,5 casos a cada mil nascidos, 13 vezes mais do que o tolerado pela Organização Mundial de Saúde. O aumento é de 170% em relação aos registrados em 2010.

    Ouvido pela Sputnik Brasil, Edmilson Migowski, infectologista, pediatra, professor universitário e diretor do Instituto Vital Brazil, diz que em algumas regiões do Brasil, e do Rio de Janeiro em particular, esse número chega a quatro por 100, mostrando a gravidade da situação. 

    "Quando a sífilis acomete a gestante,  ela pode passar a bactéria para o filho e ele nascer com a sífilis congênita, um quadro muito grave a ponto de poder causar a morte do bebê. A mulher que tem sífilis, principalmente durante a gravidez, deve receber o tratamento assim como também o companheiro dela, já que a sífilis é uma doença sexualmente transmissível."

    O médico diz que o tratamento é bem mais simples do que o de outras doenças, como a tuberculose. É feita a aplicação de dose única de penicilina, e depois é feito um acompanhamento laboratorial para ver se a pessoa evoluiu para a cura. A bactéria causadora da doença é muito sensível a esse tipo de antibiótico.

    O problema, segundo Migowski, é que a penicilina andou em falta no país. Diante da falta da penicilina nos últimos dois anos, o governo importou há alguns meses a matéria-prima para o preparo em laboratórios credenciados, e só agora o abastecimento vem se normalizando. O governo também vai autorizar um aumento no preço do antibiótico para estimular a produção.

    Migowski observa que o preço de produção preço é muito baixo, não sendo muito rentável para o laboratório. O tratamento da sífilis consiste na aplicação de uma injeção de penicilina em dose única. Ainda há, segundo o especialista, um agravante: uma planta que produz o antibiótico só pode fazer esse tipo de medicamento ou outros relacionados à penicilina. Ele diz que o tratamento é importante para evitar o surgimento de outras doenças que se instalem no organismo após a contaminação com a sífilis. Daí a importância do exames pré-natais, para detectar não só a sífilis, como também rastrear outras como a hepatite B, o HIV.

    O principal sinal de sintoma na maioria dos casos é a sífilis não apresentar qualquer sintoma na maioria das vezes. No homem, podem surgir ferimentos na glande que pode se cicatrizar com o tempo, embora a pessoa não fique curada. Também podem surgir manchas na pele que não costumam coçar. No caso da mulher, ela quase não apresenta sintoma. O fato de a pessoa não ter sinal nenhum da doença não quer dizer que ela não vá transmitir a bactéria para o bebê.

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    Tags:
    laboratório, sífilis, gestantes, tratamento, epidemia, governo, Instituto Vital Brazil, Ministério da Saúde, OMS, Edmilson Migowski, Ricardo Barros, Brasil
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