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    Eleições 2016: ‘PT encolheu e PSDB se fortaleceu’

    Valter Campanato/ Agência Brasil
    Brasil
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    Eleições municipais 2016 (26)
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    As eleições municipais deste domingo, 2, para escolha de prefeitos e vereadores mostraram que o PT sofreu um decréscimo e o PSDB recuperou vigor no país. A opinião é dos cientistas políticos Antônio Marcelo Jackson e Cláudio Couto.

    Para Antônio Marcelo Jackson, da Universidade Federal de Ouro Preto, MG, o que mais chamou a atenção na eleição de domingo foi o elevado índice de abstenções, considerando-se o número de eleitores que deixaram de comparecer aos locais de votação, além dos votos em branco e nulos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a abstenção no Brasil foi de 17,5%. Para o professor da Universidade Federal de Ouro Preto, o alto índice de ausências é um demonstrativo da insatisfação da sociedade com o quadro político atual.

    Sobre os fatores que influenciaram os resultados das eleições, Jackson diz que a destituição pelo impeachment da Presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto, e a sua imediata substituição pelo Presidente Michel Temer tiveram efeito na eleição municipal de São Paulo, vencida no primeiro turno pelo candidato empresário João Dória Jr., do PSDB, cujo padrinho político é o Governador Geraldo Alckmin. Mas no caso do Rio e de Belo Horizonte, onde o segundo turno será decidido respectivamente por Marcelo Crivella e Marcelo Freixo e por João Leite e Alexandre Kalil, Antônio Marcelo Jackson descarta qualquer influência.

    Na opinião do Professor Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, esta eleição provocou uma inflexão:

    "Os resultados de domingo mostraram que o país está passando por uma transformação política. O PSDB cresceu, revigorou-se, e o PT sofreu as maiores perdas, deixando de administrar 60% das prefeituras do Brasil, inclusive e principalmente a joia da coroa, que é a cidade de São Paulo. Há uma transformação em curso, há um quadro político em transformação e há sinais claros do eleitorado para a classe política proceder a uma reestruturação."

    Sobre a possível influência da deposição da Presidente Dilma Rousseff e sua substituição por Michel Temer, o cientista político Cláudio Couto admite que tais fatos possam ter se refletido no ânimo dos eleitores. "No entanto", diz ele, "eu prefiro não considerar estas questões como fatores isolados. Especificamente, não foi o impeachment da Presidente Dilma Rousseff que levou aos resultados de domingo, mas, sim, o intenso desgaste que o Partido dos Trabalhadores e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva vêm sofrendo nos últimos anos."

    Este desgaste, na opinião de Couto, contribuiu para o elevado nível de absenteísmo nas eleições municipais:

    "Há vários fatores a considerar. Por exemplo, o desgaste, a valorização e a crescente atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público, a profunda crise econômica em que o Brasil está envolvido são elementos que, somados, levam o eleitorado ao acentuado descrédito demonstrado no domingo."

    O papel do PT no atual cenário político brasileiro e o seu futuro mereceram idêntica avaliação dos cientistas políticos Antônio Marcelo Jackson e Cláudio Couto. Para ambos, não se deve falar em extinção ou dissolução do PT, mas, sim, na necessidade urgente que o Partido dos Trabalhadores tem de se reestruturar se quiser continuar vivo e atuante. Os dois especialistas consideram ainda prematuro avaliar o que poderá acontecer com o partido dos ex-Presidentes Lula e Dilma, especialmente em termos de ambições para as eleições gerais de 2018, mas entendem que o PT precisa reavaliar suas posições, depurar seus quadros e modificar seus métodos de ação.   

    Tema:
    Eleições municipais 2016 (26)

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    eleições, Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, FGV, PSDB, PT, Antônio Marcelo Jackson, Cláudio Couto, Geraldo Alckmin, São Paulo, Brasil
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