11:19 26 Setembro 2018
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    Antonio Palocci

    Advogado compara prisão de Palocci com ação da Ditadura

    José Cruz/Agência Brasil
    Brasil
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    O advogado de Antonio Palocci, José Roberto Batocchio, disse nesta segunda-feira (26) que desconhecia a investigação, que levou à prisão do ex-ministro dos governos Dilma e Lula, pela 35ª fase da Operação Lava Jato. Para Batocchio a prisão foi autoritária como nos tempos da Ditadura Militar.

    Após a prisão do ex-ministro, Batocchio disse não saber as acusações contra Palocci, pois as investigações correram em sigilo. O advogado criticou o autoritarismo na prisão do ex-ministro e reclama que o ato foi mais um espetáculo da Força Tarefa, que investiga a corrupção no país.

    "Eu não conheço ainda a acusação, porque ela é até o presente momento absolutamente secreta, no melhor estilo da ditadura militar. Você não sabe de nada, não sabe que está sendo investigado, um belo dia batem à sua porta e o levam. De modo que nós estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Qual a necessidade de se prender uma pessoa que tenha domicílio certo, que é médico, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações, quando for intimado. É por causa do espetáculo."

    Antonio Palocci é acusado na Operação Lava Jato de negociar o pagamento de propinas, que foram pagas por uma das principais empreiteiras do país, o Grupo Odebrecht, mesmo após já estar fora do cargo político. Segundo a Polícia Federal, a Odebrecht repassou R$ 128 milhões ao PT e outros em troca de vantagens na realização de obras junto ao governo federal. 

    Na autorização de prisão, concedida por Sérgio Moro, o juiz sugere provas de que Antonio Palocci era o responsável no PT por organizar os pagamentos ilegais feitos pela Odebrecht. O Ministério Público Federal ainda investiga se Palocci também se beneficiava pessoalmente do esquema.

    Palocci e os outros dois presos, Branislav Kontic, que foi assessor na campanha do ex-ministro em 2006, e  Juscelino Antônio Dourado, ex-secretário da Casa Civil, que de acordo com a Polícia Federal, é um dos que receberam propina, foram encaminhados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde estão centralizadas as investigações. 

    O advogado de Palocci ainda criticou o nome 'Omertà', dado a 35ª fase da Lava Jato, que segundo a Polícia Federal, é uma referência à origem italiana do codinome que a construtora usava para fazer referência a Palocci (“italiano”), e também ao voto de silêncio que supostamente imperava na Odebrecht e que, ao ser quebrado por integrantes do setor de operações estruturadas, permitiu o aprofundamento das investigações. A palavra, também diz respeito à postura atual da chefia da empresa, que, segundo a Polícia Federal, se mostra relutante em assumir e descrever os crimes praticados. Para o advogado Batocchio, a expressão remete a puro preconceito. "Causa uma certa indignação com o nome dado a essa Operação. Só porque ele tem o nome de descendente italiano, como eu tenho também, essa operação precisa se chamar 'Omertà'?, que significa a lei do silêncio da máfia, além de ser absolutamente preconceituosa contra nós, os descendentes de italianos, esta designação é perigosa. Imaginem só se alguém mudar o acento, o que, que fica?", reclamou.

     

    Tags:
    advogado, Operação Lava Jato, ditadura, detenção arbitrária, prisão temporária, pedido de prisão, Polícia Federal, José Roberto Batocchio, Antonio Palocci, Brasil
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