02:23 22 Julho 2019
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    Presidente do COI, Thomas Bach

    Ao retornar ao Brasil, Thomas Bach será intimado pela Polícia sobre máfia de ingressos

    Fernando Frazão/Agência Brasil
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    Depois de indiciar nove pessoas na conclusão das investigações sobre o esquema internacional de venda ilegal de ingressos para os Jogos Olímpicos Rio 2016, a Polícia Civil do Rio agora investiga possível participação do Presidente do Comitê Olímpico Internacional Thomas Bach no crime.

    Entre os indiciados por cambismo, estão cinco diretores da empresa irlandesa THG, que apesar de não ter autorização para realizar a venda de entradas para as Olimpíadas, comercializava os ingressos ilegalmente e com preço acima do oficial.

    A Polícia apontou como um dos principais envolvidos no esquema, o presidente do Comitê Olímpico Irlandês e ex-executivo do Comitê Olímpico Internacional, o irlandês Patrick Joseph Hickey, que chegou a ser preso, mas conseguiu a liberdade após um habeas corpus. Hickey, no entanto, teve que entregar o passaporte à Justiça e não pode deixar o Brasil.

    O presidente do Comitê Olímpico Irlandês é acusado de facilitação para o cambismo, com pena de dois a quatro anos de prisão, além de uma multa; marketing de emboscada e organização criminosa. Outras sete pessoas envolvidas no crime segue foragidas, fora do país. 

    Assim como Patrick, no Brasil, também está impedido de deixar o país o empresário Kevin James Mallon, acusado de receber ingressos no Comitê Olímpico da Irlanda e revender a preços acima dos oficiais. 

    Durante as investigações, foram apreendidos HD's externos, tabletes e celulares com toda a planilha de repasse de ingressos de comitês olímpicos para as empresas que faziam parte do esquema ilegal. Na interceptação de mensagens via celular, a Polícia identificou uma mensagem enviada por Patrick Joseph Hickey ao Presidente do Comitê Olímpico Internacional Thomas Bach solicitando mais ingressos para finais de jogos do basquete, futebol e do atletismo. 

    De acordo com o delegado Aloysio Falcão, um responsáveis pelas investigações, após a mensagem de celular, o Comitê Olímpico Irlandês conseguiu mais 296 ingressos do que tinha direito. O delegado quer ouvir o depoimento de Thomas Bach para verificar se há a participação do presidente do COI no esquema ilegal de venda de ingressos.

    Aloysio Falcão esperava intimar Thomas Bach para prestar esclarecimentos com a vinda dele na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos, no último dia 7 de setembro, mas Bach não veio para o evento.

    "Depois da mensagem por Thomas Bach não podemos dizer que teve uma relação direta. Por isso que a Polícia Civil quer ouvi-lo. Saber qual a participação dele. Se ele tem influência com relação a essa questão de demandas de ingressos para os comitês olímpicos nacionais. Até agora o COI não procurou a Polícia Civil e está sendo omissa, não nos procurou e não deu nenhum esclarecimento oficial. Estávamos esperando a sua chegada na cerimônia da abertura das Paralimpíadas, mas como ele não veio, nós não conseguimos intimá-lo para depôr como testemunha."

    Na ocasião da festa de abertura dos Jogos Paralímpicos, o diretor de comunicação do Rio 2016, Mario Andrade informou à imprensa que,pela primeira vez na história, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, não estaria presente no Rio, pois participaria de um evento em memória de Walter Schell, ex-presidente da Alemanha Ocidental, falecido em 24 de agosto.

    De acordo com a Polícia do Rio, assim que Thomas Bach retornar ao Brasil em nova ocasião, ele vai ser intimado como testemunha do caso. 

     

    Tags:
    Jogos Rio 2016, investigações, ilegal, ingressos, venda, Jogos Olímpicos, Polícia Civil do Rio de Janeiro, Thomas Bach, Rio de Janeiro, Brasil
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