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    Exclusivo: 'O PT deveria estar lambendo suas feridas', diz Jean Wyllys em Portugal

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    Brasil
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    Lucas Rohan
    Ecos do impeachment (13)
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    Deputado federal do PSOL acredita que o partido de Dilma não tem "condições morais" de liderar a oposição ao governo Temer.

    O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) acredita que após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) é hora de as esquerdas brasileiras priorizarem os pontos que têm em comum na oposição ao governo de Michel Temer (PMDB) em detrimento de suas diferenças, mas alega que o PT não tem "condições morais" de liderar esse movimento. Ao mesmo tempo crítico e defensor do governo petista, a partir de pontos de vista diferentes, o deputado não vê contradição nisso.

    Em entrevista à Sputnik em Lisboa, um dos destinos de uma viagem de uma semana pela Europa para "denunciar o que está acontecendo no Brasil", Wyllys não deixa de apontar os erros de Dilma, mas defende enfaticamente que a destituição foi um golpe das elites brasileiras.

    Na Europa, o deputado teve agenda política cheia que começou há uma semana, quando participou de um evento do Bloco de Esquerda no norte de Portugal para falar sobre as perspectivas da esquerda no Brasil, incluiu encontros com políticos locais e com brasileiros que vivem no país e uma série de entrevistas para a imprensa internacional. Wyllys pediu ao governo português do Partido Socialista que não reconheça Temer como presidente. "Se queremos ser coerentes, as forças de esquerda portuguesas que se uniram para garantir o governo (de António Costa) deveriam pressioná-lo a não reconhecer o governo Temer, que é um governo golpista, o governo de um traidor, alguém que humilhou a Nação ao caçar 54 milhões de votos", afirma.

    Questionado sobre o que será da esquerda nesse momento, o deputado alega que não pode dizer "de maneira tão clara quais são as perspectivas porque as esquerdas no Brasil são plurais". "De maneira geral, diria que a perspectiva é enfrentar o governo Temer, não reconhecer, não dar legitimidade e fazer uma oposição ferrenha", defende. Ao mesmo tempo em que prega a união das esquerdas, o deputado acredita que o PT não tem condições de liderar esse movimento e "tem que ceder agora às novas forças políticas em torno das quais se pode construir um consenso".

    "Creio que nesse momento o PT não tem as condições para ser protagonista. Acho que muito mais o MTST, que é o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, o movimento LGBT, o próprio PSOL, tem mais condições de produzir esse consenso do que o PT. O PT nesse momento deveria estar fazendo uma autocrítica, lambendo suas feridas e identificando quais foram os seus erros nessa coligação com a direita brasileira nos seus últimos governos", diz.

    Jean cobrou "autocrítica" por parte do Partido dos Trabalhadores (PT) em vários momentos da entrevista e justificou que o partido "deve isso às esquerdas, deve isso a ele mesmo, à história do partido". Ele afirma que o momento pede que as forças progressistas do Brasil deem "prioridade às suas convergências e não às suas divergências".

    O deputado rechaça com veemência qualquer responsabilidade de seu partido no enfraquecimento do governo Dilma. Para ele, é injusto apontar que a oposição feita pelo PSOL contribuiu para a queda da petista. Ele defende que seu partido não errou na oposição, pelo contrário, sempre teve uma postura coerente e responsável. Aborrecido com o questionamento, que chamou de "injusto", "acusatório" e "piada", o deputado responde que quem errou foi Dilma ao "confiar demais nas forças reacionárias e conservadoras que compunham o governo dela".

    "Foi o PT que cedeu às pressões das forças conservadoras, reacionárias e de direita que compunham os seus governos. As esquerdas, fora o PT, têm todo o direito de se colocarem em uma posição crítica porque se chegamos aonde chegamos, foi justamente porque o PT acreditou numa conciliação entre classes que todos nós da esquerda achávamos que não era possível", argumenta.

    Provocado se seria o momento de os partidos de esquerda abandonarem velhos ranços e se unirem na oposição ao governo de Temer, Jean demonstra irritação e alega que "se tem uma responsabilidade na desunião das esquerdas é do PT, que ao invés de fazer um governo inclinado à esquerda, fez um governo inclinado à direta".

    "O PMDB é um partido de corruptos, todos sabíamos disso, entretanto o PT fez coligação com o PMDB em todos os seus governos. Se há um erro aí, foi do PT, que foi, no mínimo, ingênuo em relação ao PMDB. Culpar o PSOL, achar que o PSOL tem responsabilidade na queda da Dilma é uma piada porque o PSOL fez uma oposição coerente, responsável com seu programa, com sua história, com as políticas que propõe para o país. Isso não é ajudar a derrubar o governo, isso é fazer uma oposição responsável", afirma.

    Na entrevista, Jean Wyllys explica como foi acompanhar o final do processo de impeachment de longe, defende que estar fora foi até mais útil porque aproveitou para ser uma voz para denunciar o golpe no exterior, conta o que ouviu dos portugueses com relação ao golpe no Brasil, comenta a recente decisão do STF que rejeitou denúncia contra ele por ter chamado Eduardo Cunha de ladrão e expressa forte preocupação com retrocessos na pauta LGBT durante o governo de Temer.

    Na segunda-feira (5), leia no site da Sputnik Brasil a entrevista completa do deputado federal do PSOL Jean Wyllys.

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    Ecos do impeachment (13)

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    Tags:
    tensões sociais, tensão política, golpe, impeachment, PT, PSOL, PMBD, Dilma Rousseff, Michel Temer, Portugal, Brasil
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