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    Antonio Cruz/ Agência Brasil
    Brasil
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    Uma desavença entre o Ministro Gilmar Mendes, do STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e os procuradores da Operação Lava Jato veio a público em função de uma reportagem publicada numa revista semanal.

    A revista "Veja" publicou que a delação premiada do empresário Léo Pinheiro, presidente da OAS, incluíra favores da empreiteira a outro ministro do Supremo, Dias Toffoli. De acordo com a matéria, Toffoli teria comentado com Pinheiro que a sua residência em Brasília necessitava de alguns reparos, e que o empreiteiro teria realizado os consertos de forma gratuita. Em função da divulgação dessas informações, o Procurador-Geral Rodrigo Janot determinou a suspensão das negociações para efetivação da delação premiada de Léo Pinheiro na Operação Lava Jato. O episódio levou Janot a dizer que está em curso no Brasil uma "delação institucional".

    Logo em seguida, o Ministro Gilmar Mendes, integrante do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, disse que é preciso conter a atuação dos procuradores da Lava Jato, atribuindo aos mesmos a responsabilidade pelo vazamento daquelas informações para os repórteres da "Veja". Por sua vez, Rodrigo Janot saiu em defesa dos seus comandados, dizendo que as informações publicadas por "Veja" não foram reveladas por nenhum membro do Ministério Público Federal.

    Diante de tantas críticas e acusações, a Sputnik Brasil conversou com o cientista político Augusto Cattoni, pesquisador do Instituto Atlântico e também professor de Relações Internacionais:

    "Isto que está acontecendo é o reflexo da mais grave crise que o Brasil está vivendo", diz Cattoni. "Já temos a crise política, a crise econômica, a crise social e agora temos esta crise no âmbito do Poder Judiciário. É lamentável. Considero também que esta desavença pública entre o Ministro Gilmar Mendes e os membros do Ministério Público Federal é uma tentativa de abafar os efeitos provocados pela Operação Lava Jato. Há, certamente, muita coisa ainda a ser revelada nesta Operação e que talvez venha a afetar os Poderes Executivo, Legislativo e, quem sabe, o Judiciário."

    Em suas críticas aos procuradores, o Ministro Gilmar Mendes disse que "o cemitério está cheio desses heróis", o que também mereceu reparos do Professor Augusto Cattoni:

    "É de se esperar que um ministro do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes, tenha maior comedimento em suas palavras. Ele foi profundamente infeliz ao proferir tais declarações. Eu espero que a Operação Lava Jato não termine, que ela conclua os seus trabalhos e que não haja mais pressões pela sua contenção, ou mesmo, pelo seu término."

    Nesta quarta-feira, 24, outro ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, manifestou-se sobre a questão. Segundo o ministro, "é preciso apurar a responsabilidade pelos sucessivos vazamentos de informações sobre a Operação Lava Jato, para que as responsabilidades fiquem bem definidas".  

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    Tags:
    delação premiada, poder judiciário, Operação Lava Jato, Veja, Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Augusto Cattoni, Gilmar Mendes, Rodrigo Janot, Brasília, Brasil
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