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    Vários especialistas, analisando a economia do país e suas perspectivas para os próximos dois anos, pensam que os Jogos Olímpicos foram despropositados para o Brasil.

    O país está no estado de recessão mais profundo desde os anos 30 do século passado. O investimento no país diminuiu, o nível de produção total caiu 4,5%. A demanda do consumo interno também está caindo. O nível de desemprego, o mais alto dos últimos 4 anos, é de 9,5 por cento, o que também agrava a situação.

    Os equipamentos olímpicos foram construídos graças ao dinheiro dos contribuintes brasileiros, a maioria deles foi construída a partir do zero, o que foi muito caro. Neste contexto, não é uma surpresa que o povo esteja irritado por causa dos Jogos. O Fundo Monetário Internacional faz más previsões para o país, bem como o Banco Mundial – as instituições internacionais preveem uma queda da economia no valor de 3,8 e 2,5 por cento nos próximos dois anos respectivamente.

    O editor-chefe do jornal russo Latinskaya Amerika (o nome russo de América Latina), Vladimir Travkin, partilhou com a Sputnik suas considerações sobre a economia do Brasil depois dos JO. Segundo ele, por um lado as receitas das companhias aéreas e turísticas foram menores do que era esperado, principalmente por causa da situação política instável e do alto nível de criminalidade no país.

    "Para quê gastar dinheiro e ir aos Jogos se eu posso ser roubado em Copacabana?", Travkin faz esta pergunta retórica que, segundo ele, impediu muitas pessoas ricas de visitar os JO.

    Falando sobre a própria economia, Vladimir Travkin disse que os principais fatores do bem-estar da economia brasileira são os preços mundiais de matérias-primas e a crise mundial. Ele assinala que a vida econômica também está afetada por processos políticos – pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff, porque a gente não sabe que rumo será escolhido pelo novo governo – os cidadãos receiam poupar, os investidores estrangeiros receiam investir.

    O especialista assinala que no ano de 2009 a economia do Brasil tinha crescido e que as reformas de Dilma do caráter esquerdista, que posteriormente pareceram ser bem sucedidos, foram estranguladas do exterior, principalmente pelos EUA:

    "Dilma disse que é julgada por causa de seus êxitos e não por crimes", assinala Vladimir Travkin.

    Apesar de todas as tentativas para descriminar os atletas russos e outros escândalos, o especialista julga que os Jogos foram uma coisa positiva para o Brasil. Mas ele lamenta que Dilma Rousseff não tenha conseguido inaugurar e encerrar os Jogos como presidenta, porque o especialista considera que o evento, que em geral decorreu bem, foi mérito dela.

    O especialista russo Sergei Khestanov, conselheiro do diretor-geral da companhia Otkritie Broker, diz que o Brasil é um país com uma economia forte e que os Jogos não estão acima das capacidades do país. Mas ele assinala que o povo brasileiro, na sua maioria, julga que seria melhor gastar o dinheiro para outros fins.

    Segundo o especialista, os equipamentos olímpicos são raramente usados depois do evento. Ele assinala que estas instalações no Brasil não serão usadas em pleno.

    Falando sobre a economia brasileira em geral, ele assinala que os problemas principais são o alto nível de corrupção e a orientação para as exportações de matérias-primas, e que os Jogos Olímpicos realmente não são tão prejudiciais como esses problemas.

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    recessão, impeachment, economia, Jogos Olímpicos, Banco Mundial, FMI, Dilma Rousseff, Brasil
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