05:48 22 Agosto 2019
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    Sputnik/Mario Russo

    Petroleiros: venda de ativos da Petrobras é passo inicial para privatização

    Brasil
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    Os petroleiros entraram nesta terça-feira, 16, no segundo dia de mobilização contra os planos do governo de vender parte do capital da BR Distribuidora, da Liquigás e da Transpetro. Os protestos acontecem em dez estados: Minas Gerais, Pernambuco, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Sergipe, Ceará e Rio Grande do Norte.

    No Rio, nesta terça, a Federação Nacional dos Petroleiros e o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro promoveram um abraço à Igreja da Candelária, no Centro do Rio, com a participação de dezenas de manifestantes, que se juntaram aos milhares de turistas do Brasil e do exterior que percorrem as ruas centrais da cidade para conhecer os novos atrativos da Praça Mauá e do Boulevard Olímpico. Nos protestos, os grevistas estão impedindo a entrada e saída de caminhões tanques das refinarias e distribuidoras, mas a categoria garante que não haverá risco de desabastecimento de combustíveis.

    Fundada em 1971, a BR se tornou rapidamente a maior distribuidora de combustíveis no país. Hoje, ela conta com 7.500 postos em todas as regiões e cerca de 10 mil empregados. Considerada uma das companhias mais lucrativas do grupo Petrobras, foi a primeira bandeira a comercializar álcool etanol nas bombas. A empresa também leva combustíveis às regiões mais remotas do país. A Liquigás atua na distribuição de gás natural e a Transpetro é a frota de transporte da empresa.

    O vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, faz duras críticas à nova direção da estatal que assumiu no final de maio, logo após o afastamento da presidente Dilma Rousseff após aprovação inicial do pedido de impeachment. Pedro Parente assumiu a presidência substituindo Ademir Bendine e emprestando um discurso privatista para a companhia.

    "Parente foi presidente do Conselho da Petrobras no período de 1999 a 2002, quando houve várias agressões ao patrimônio da Petrobras com a venda de 36% das ações nos Estados Unidos por US$ 5 bilhões (valiam mais de US$ 100 bilhões) e troca de ativos com a Repsol, que deu um prejuízo de US$ 2 bilhões."

    Siqueira afirma que Pedro Parente participa do projeto de desnacionalização da empresa conduzido por Henri Philippe Reichstul, presidente da estatal entre 1999 e 2001, que chegou a tentar trocar o nome da empresa para Petrobrax. Os planos do governo são de vender a maioria das ações da BR Distribuidora, a empresa mais estratégica da Petrobras, a maior geradora de fluxo de caixa.

    "Estão entregando 51% dessas ações provavelmente para a empresa em que ele (Parente) trabalhava, à Bunge, que quer entrar na distribuição. Ela tentou comprar a Ale e não conseguiu e provavelmente agora vai receber a BR de bandeja."

    Segundo Siqueira, Parente quer vender a Transpetro, empresa que faz o transporte de petróleo do mar para terra e faz a medição online.

    "As empresas estrangeiras querem esse filé mignon e querem, como fazem mundialmente, manipular as medições e ficar com boa parte do petróleo. E ainda quer vender a malha de gasoduto, que é um patrimônio nacional, e entregar isso para as empresas estrangeiras gerirem e coordenarem um segmento extremamente estratégico. O que o Parente quer é desmontar a Petrobras para poder entregar o pré-sal às multinacionais. Ele está repetindo uma estratégia que fez no período do governo Fernando Henrique."

    Siqueira diz que os petroleiros sabem desses planos e e estão se manifestando, fazendo movimentos para resistir ao desmantelamento da Petrobras.

    "Ele quer vender o campo de Carcará, um dos mais promissores do pré-sal. Esse processo de desmonte é coordenado pelo governo Temer que, no programa do PMDB, se chama ‘Ponte para o Futuro’ (dos Estados Unidos)."

    Segundo o vice-presidente da Aepet, essa é a mesma estratégia aplicada em 1999 à Petrobras.

    "Nesse momento está sendo julgado na Câmara o projeto do José Serra (hoje ministro das Relações Exteriores) que tira a participação obrigatória da Petrobras no pré-sal. Se o Parente está vendendo um dos melhores campos do pré-sal, ele não vai entrar em mais leilão algum. A intenção é tirar a Petrobras do pré-sal. Deixa de ser uma obrigação legal e passa a ser uma vontade do governo de plantão, que é entreguista e corrupto."

    Presente à manifestação na Candelária, o coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros e do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancela, garantiu que os protestos contra a venda da participação das empresas da Petrobras vai continuar. Segundo ele, as manifestações devem crescer para sensibilizar a população sobre as manobras do governo que vão implicar na perda de soberania de companhias importantes para o Brasil. 

    "A campanha que a mídia vem exercendo contra as estatais, em especial a Rede Globo, têm que ser denunciada. A população não ouviu falar nada sobre a tentativa de venda em curso dos poços terrestres que, embora não tenham uma quantidade de produção comparável à dos marítimos, representam uma importante fonte de divisas para centenas de municípios, principalmente no Nordeste do país."

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    Tags:
    campos de petróleo, petroleiros, frota, privatização, pré-sal, gás, Transpetro, Câmara dos Deputados, Petrobras, José Serra, Michel Temer, Brasil
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