21:51 22 Setembro 2021
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    Após polêmica, ICESP vai iniciar testes da 'Pílula do Câncer' pela primeira vez em humanos

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    A partir de segunda-feira (25) começam em São Paulo os primeiros testes em humanos, da polêmica substância fosfoetanolamina, mais conhecida como a Pílula do Câncer, com a finalidade de verificar a sua eficácia no combate a doença.

    A fase clínica dos estudos será conduzida pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), que acredita que em cerca de seis meses já seja possível afirmar se a substância é ou não eficaz. O ICESP já recebeu do laboratório oficial da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo as 40 mil cápsulas para os testes. Inicialmente, a Pílula do Câncer vai ser administrada em 10 pacientes durante dois meses, onde será verificado se a substância causa efeitos colaterais graves. 

    O Secretário de Saúde de São Paulo, David Uip explicou para a imprensa, que dependendo da reação e melhora desses pacientes, o teste vai sendo  ampliado gradativamente até se chegar ao total de mil pessoas, sendo 100 pessoas para cada tipo de  tumor estudado:  cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto (intestino), colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado.

    "Se em cada grupo, três mostrarem benefícios, acrescenta-se mais oitenta. Pretende-se dar todas as chances da droga mostrar eficiência. Por exemplo, ela pode não ser eficiente no câncer de mama, mas pode ser eficiente no melanoma."

    De acordo com o Coordenador do Estudo, o Oncologista Paulo Hoff, os pacientes escolhidos não podem estar em tratamento com quimioterapia e caso a eficácia da substância não se comprove, isso não vai causar a piora do paciente, e o tratamento convencional poderá ser iniciado.

    "Caso o tratamento não seja efetivo, não alterará a história natural do paciente, ou seja, ele não morrerá mais rápido se não houver benefício do tratamento. Ele poderia ficar dois meses sem tratamento sem prejudicar o tratamento global. Nós fomos muito cuidadosos ao selecionar os critérios de elegibilidade de exclusão de cada grupo."

    Por mais de 20 anos a fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida pelo Instituto de Química da USP —  Universidade de São Paulo, em São Carlos, por uma equipe coordenada pelo professor aposentado Gilberto Chierice. A substância chegou a ser distribuída por anos gratuitamente para pessoas interessadas, mas por uma determinação da USP, a distribuição foi suspensa, o que fez com que muitos usuários recorressem judicialmente para conseguir o acesso ao medicamento. Apesar de muitos pacientes afirmarem ter detectado melhora ao usar a pílula do câncer, análises iniciais não comprovaram sua eficácia. Outros institutos também estudam a substância realizando testes em camundongos, mas até agora também não obtiveram resultados satisfatórios.

    Após muitos protestos e decisões judiciais, uma lei chegou a ser  aprovada pelo Congresso Nacional, permitindo a comercialização e uso da substância mesmo sem registro da Anvisa. A lei foi sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff em abril deste ano, mas em maio o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a lei.

    Tags:
    Brasil, São Paulo, Paulo Hoff, Gilberto Chierice, David Uip, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Instituto de Química da USP, Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, testes, pílula do Câncer
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