11:34 20 Outubro 2020
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    Vinda de estrangeiros para Jogos tornou o Brasil alvo terrorista, diz Ministro da Justiça

    Brasil
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    Rio 2016 (253)
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    Faltando 15 dias para o início dos Jogos Olímpicos, a Polícia Federal realizou a Operação Hashtag, e prendeu dez pessoas supostamente ligadas ao grupo terrorista Daesh, em 10 estados brasileiros.

    Ao todo são 12 mandados de prisão expedidos pelo juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara da Justiça Federal do Paraná, nos Estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.

    Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (21), o Ministro da Justiça Alexandre de Moraes disse que o grupo foi identificado a partir do monitoramento de conversas entre os suspeitos com o Daesh por aplicativos de comunicação como WhatsApp e Telegram. 

    Segundo Alexandre de Moraes, a operação antiterrorismo foi deflagrada através da parceria entre a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a Polícia Federal e as Forças Armadas, com auxílio das agências de informações internacionais, a partir do monitoramento da troca de mensagens, que passaram de simples comentários para 'atos preparatórios', e o entendimento de que o Brasil seria alvo com a proximidade dos Jogos Rio 2016.

    "Hoje culminou na primeira operação, em que da suposta célula terrorista no Brasil foram presos dez indivíduos que, a partir do nosso rastreamento e mapeamento, passaram de simples comentários sobre o Estado Islâmico e sobre atentados, para atos preparatórios. A partir do momento em que passaram para atos preparatórios, e essa é uma diferença do combate ao terrorismo, que é o único crime que permite já a decretação de prisão. Atos preparatórios, não executórios. A partir do momento em que saíram simplesmente daquilo que é quase uma apologia ao terrorismo, foi feita prontamente a atuação por parte do Governo Federal, realizando simultaneamente, em dez estados, dez prisões desses supostos terroristas, que se comunicavam na internet, via grupos Telegram e WhatsApp. Não havia, salvo em relação a quatro deles, nenhum contato pessoal, mas sim um contato via internet."

    De acordo com o Ministro, os suspeitos passaram por um 'batismo', com juramento ao Daesh, mas não houve contato direto com o grupo. Em seguida, foram iniciadas conversas via internet sobre os atos preparatórios que consistiam na orientação para que os suspeitos aprendessem artes marciais e a atirar e comprar armas, como a negociação de um fuzil AK-47 com um vendedor no Paraguai, que seria usado para ações terroristas.

    "A partir desse juramento, o batismo na verdade é um juramento ao Estado Islâmico, alguns atos preparatórios mais específicos começaram a ser realizados. Uma ordem entre eles que passou nesse grupo dos que foram presos, é pra que se iniciassem treinamento de artes marciais, treinamento de munição, armamento, de tiro, para que eles pudessem realizar algum ato específico que não tinha sido até então direcionado. Isso foi progredindo. Um deles entrou em contato, e conseguimos rapidamente rastrear, com um site de armas clandestinas no Paraguai, solicitando a compra de um fuzil AK-47 para a realização de uma operação. Esse também foi um momento crucial que mostra o ato preparatório. Não há informação na investigação, pelo menos até agora, que ele tenha conseguido adquirir esse fuzil, mas o simples pedido, a simples comunicação e depois a informação circulando entre eles, de que estavam pretendendo comprar esse fuzil, obviamente isso também é um ato preparatório, que deve ser imediatamente combatido."

    Alexandre de Moraes explicou que os Jogos Olímpicos é que fizeram com que o Brasil se tornasse alvo do Daesh.

    "Em relação ao Brasil, em um determinado momento, após esses atos preparatórios. Após terem afirmado que o Brasil não fazia parte da coalizão contra o Daesh, em novas trocas de mensagens reafirmaram que o Brasil não fazia parte da coalizão, mas em virtude da proximidade das Olimpíadas, como iria receber vários estrangeiros, então, o Brasil a partir daí passaria também a estar dentro do alvo dessas pessoas."

    Mesmo com a preparação dos suspeitos, Alexandre de Moraes considera que foi uma ação desorganizada do grupo, mas que o Governo não pode ignorar mensagens assim, que foram rastreadas. O ministro da Justiça, no entanto, continua com a avaliação de que a criminalidade no Brasil preocupa mais do que as ameaças terroristas.

    "Qualquer célula organizada não iria procurar comprar uma arma pela internet. Bastaria, até porque um deles estava no Paraná, mais próximo de onde, nós sabemos, infelizmente, se compra muita arma, que é o Paraguai. É uma célula desorganizada, por isso eu insisto e reitero que a questão da segurança pública é muito mais importante,  gera muito mais preocupação do que a questão do terrorismo. Obviamente, nós não podemos, e nenhuma força de segurança séria pode ignorar, então melhor seria, como foi, imediatamente se decretar a prisão."

    O Ministro da Justiça disse ainda que nas conversas rastreadas nos últimos dias os presos agravaram o discurso, comemorando  os  recentes ataques e execuções nos EUA e na França.

    Na ação desta quinta-feira (21) foram apreendidos computadores e celulares dos suspeitos, que segundo Alexandre de Moraes vão ser analisados rapidamente, para verificar a possibilidade da existência de outras células ou possíveis ameaças ao Brasil, e também para poder tranquilizar a população e os visitantes. Os suspeitos vão ficar presos por 60 dias.

    Tema:
    Rio 2016 (253)
    Tags:
    Jogos Rio 2016, prisões, Jogos Olímpicos, terrorismo, Ministério da Justiça, Daesh, Alexandre de Moares, Paraíba, Ceará, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Amazonas, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Brasil
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